Polícia

PM condenado pelo assassinato de Zaíra Cruz é expulso da corporação

A expulsão de Pedro Inácio Araújo marca um desfecho importante no caso da universitária Zaira Cruz, assassinada em 2019.  |  

Publicado em 18/07/2026, às 10h21      Anna Paula Andrade

         A Polícia Militar do Rio Grande do Norte expulsou dos seus quadros o policial militar Pedro Inácio Araújo de Maria, condenado pelo homicídio qualificado e estupro da universitária Zaira Cruz. A decisão foi oficializada pelo Comando-Geral da corporação e representa o desfecho administrativo de um dos casos de maior repercussão no estado.
         O ato foi assinado pelo comandante-geral da PMRN, coronel Alarico José Pessoa Azevedo Júnior, com base na condenação criminal definitiva e na legislação que rege a carreira militar estadual. Segundo a decisão, a sentença tornou o policial moralmente incompatível para permanecer na instituição, resultando em sua exclusão da corporação.

         O caso ganhou repercussão em todo o Rio Grande do Norte após o assassinato de Zaira Cruz, durante o Carnaval de 2019, em Caicó. Em dezembro de 2025, Pedro Inácio foi condenado pelo Tribunal do Júri a 20 anos de prisão pelos crimes de homicídio qualificado e estupro.

       A expulsão ocorre poucos meses após a polêmica envolvendo a promoção funcional concedida ao policial enquanto ele ainda respondia pelo processo criminal. O episódio gerou forte reação de movimentos de defesa dos direitos das mulheres, parlamentares e do Ministério Público, que recomendou a anulação da promoção e defendeu a exclusão definitiva do militar da corporação.

        Em resposta à repercussão do caso, o Governo do Rio Grande do Norte sancionou, em 11 de junho de 2026, uma lei que impede a promoção de servidores públicos estaduais investigados ou processados por feminicídio, violência doméstica e familiar contra a mulher e crimes contra a dignidade sexual. A norma busca evitar que agentes públicos acusados de crimes dessa natureza sejam beneficiados com progressões funcionais enquanto respondem aos processos.

                 A expulsão de Pedro Inácio reforça esse novo entendimento institucional. Se a legislação passou a impedir a promoção de servidores investigados por violência contra a mulher, a exclusão definitiva de um policial condenado demonstra o fortalecimento dos mecanismos de responsabilização dentro da administração pública.

       Embora nenhuma decisão seja capaz de reparar a perda de Zaira Cruz ou amenizar o sofrimento de seus familiares, a medida representa um avanço no enfrentamento à violência de gênero ao reafirmar que agentes condenados por crimes dessa natureza não podem permanecer no serviço público, especialmente em instituições responsáveis pela proteção da população.

Classificação Indicativa: Livre


TagsMinistério públicoJustiçaEstuproFeminicídioCaicóResponsabilizaçãoZaira cruzViolência de gênerolegislação estadualHomicídio qualificadoPedro inácio araújo de mariaDireitos das mulheresPolícia militar do rio grande do nortecaso zaíraPromoção de servidores públicos