Polícia
Publicado em 23/03/2026, às 17h22 Reprodução Jussier Lucas
O julgamento de Henry Borel, um dos casos de maior repercussão no país, foi interrompido nesta segunda-feira (23), no Rio de Janeiro, após a defesa de Jairo Souza Santos Júnior abandonar o plenário do II Tribunal do Júri. A sessão foi adiada e uma nova data já foi marcada: 25 de maio.
O júri popular analisaria a responsabilidade de Monique Medeiros e de Jairinho pela morte do menino, ocorrida em 2021. A interrupção aconteceu depois que a juíza negou o pedido de adiamento feito pela defesa do ex-vereador.
Mesmo após a decisão judicial, os advogados deixaram o plenário, o que inviabilizou a continuidade do julgamento.
Defesa alega falta de acesso a provas
Os advogados de Jairinho alegaram que não tiveram acesso completo às provas do processo, mesmo após solicitação feita em 2025. Segundo a defesa, apenas parte dos documentos teria sido disponibilizada, o que comprometeria o direito à ampla defesa.
A acusação, no entanto, criticou duramente a atitude. O advogado assistente, Cristiano Medina, classificou o episódio como uma tentativa de atrasar o julgamento e afirmou que as provas são “irrefutáveis”.
Diante do abandono da defesa, a juíza Elizabeth Machado Louro determinou o adiamento do júri e remarcou a sessão para o dia 25 de maio.
Outro desdobramento importante foi a decisão que determinou a soltura de Monique Medeiros por excesso de prazo. A defesa dela, inclusive, era contrária ao adiamento do julgamento.
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Caso segue sem desfecho após cinco anos
Henry Borel morreu em 8 de março de 2021, no apartamento onde vivia com a mãe e o padrasto, na Barra da Tijuca.
Inicialmente, foi apresentada a versão de acidente doméstico. No entanto, o laudo do Instituto Médico Legal apontou 23 lesões no corpo do menino, incluindo laceração hepática e hemorragia interna, indicando morte por ação violenta.
As investigações da Polícia Civil concluíram que a criança era vítima de agressões recorrentes. O Ministério Público sustenta que Jairinho praticava as violências, enquanto Monique teria se omitido.
Os dois foram presos em abril de 2021 e respondem por homicídio qualificado, entre outros crimes.
O pai da vítima, Leniel Borel afirmou que aguarda por justiça há cinco anos.
“Já tenho mais tempo de luto do que de convivência com meu filho”, declarou.
O novo julgamento, marcado para maio, deve ser decisivo para o desfecho de um dos casos mais chocantes do país.