Polícia
Publicado em 04/02/2026, às 17h53 Department of Justice/Epstein Files/Reprodução Jussier Lucas
Documentos tornados públicos no âmbito do caso Jeffrey Epstein passaram a mencionar a cidade de Natal em trocas de e-mails atribuídas ao financista norte-americano e a pessoas ligadas ao seu círculo. As mensagens fazem parte do conjunto conhecido como Epstein Files, liberado recentemente pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
Os registros analisados datam principalmente do período entre 2010 e 2011 e incluem referências a deslocamentos pelo Nordeste brasileiro, além da menção a uma jovem descrita como moradora da periferia da capital potiguar. As comunicações são atribuídas a interlocutores próximos a Epstein, entre eles o ex-agente de modelos francês Jean-Luc Brunel.
Brunel, que morreu em uma prisão na França em 2022, é apontado por investigações internacionais como um dos principais parceiros de Epstein e suspeito de atuar como intermediário no recrutamento de mulheres e adolescentes para exploração sexual.
Mensagens citam viagens e jovem de origem humilde
Em um dos e-mails, datado de novembro de 2010, o remetente relata estar em viagem pelo Nordeste brasileiro e menciona passagens por João Pessoa, Recife e Natal, além de São Paulo e Nova York. Na mesma mensagem, afirma estar “muito feliz por ter conquistado essa garota”, sem identificar a pessoa citada.
Outros trechos fazem comentários depreciativos sobre regiões do Brasil e demonstram hesitação quanto a novos deslocamentos, como uma possível ida ao Rio de Janeiro. As mensagens aparecem nos arquivos sem contextualização adicional e não detalham, de forma direta, a ocorrência de crimes em território brasileiro.
Em janeiro de 2011, uma nova troca de mensagens chama atenção ao descrever uma mulher associada a uma possível viagem internacional. Segundo o texto, ela seria “de uma pequena cidade, na periferia de Natal, de uma família muito pobre e simples”, não falaria inglês e nunca teria viajado ao exterior.
O remetente também menciona dificuldades financeiras relacionadas a passagens, visto e passaporte. Em resposta, Epstein afirma que poderia repassar recursos posteriormente, conforme consta nos documentos. Em outro trecho, o interlocutor diz ter anexado uma fotografia feita pela jovem na noite de réveillon.
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Ligação com Jean-Luc Brunel e investigações internacionais
Embora os e-mails não identifiquem claramente todos os remetentes, Jean-Luc Brunel aparece em outros documentos como figura central da rede associada a Epstein. O ex-agente francês foi acusado de estupro, tráfico sexual e exploração de menores, com denúncias que remontam às décadas de 1980 e 1990.
Brunel esteve no Brasil em diferentes ocasiões e chegou a manter contatos com agências de modelos no país. Ele foi cofundador da MC2 Model Management, nos Estados Unidos, empresa criada com financiamento de Epstein.
Apesar das menções a Natal, os documentos não confirmam a prática de crimes na cidade nem citam autoridades, instituições locais ou locais específicos. As referências se limitam ao conteúdo das comunicações analisadas pelas autoridades norte-americanas.
Na última semana, o Departamento de Justiça dos EUA liberou cerca de três milhões de páginas de arquivos, além de milhares de imagens e vídeos relacionados ao caso Epstein. A análise do material ainda está em andamento, e novas informações podem surgir à medida que os documentos forem examinados.
Jeffrey Epstein foi preso em 2019 sob acusações federais de tráfico sexual de menores e encontrado morto em uma cela em Nova York no mesmo ano. A morte foi oficialmente registrada como suicídio, mas permanece cercada de questionamentos.