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Publicado em 25/04/2026, às 13h37 Foto: reprodução Ranyere Fonseca
O impacto da nova tributação sobre compras internacionais, popularmente conhecida como "Taxa das Blusinhas", somado ao programa Remessa Conforme, provocou um verdadeiro abismo financeiro nas contas dos Correios. Segundo as demonstrações financeiras publicadas no Diário Oficial da União, a participação das encomendas vindas do exterior no faturamento da estatal despencou de 22% em 2023 para ínfimos 7,8% em 2025.
Em termos nominais, o prejuízo é gritante. Se em 2024 a receita com esse segmento foi de R$ 3,9 bilhões, em 2025 o valor minguou para R$ 1,3 bilhão; uma perda de R$ 2,6 bilhões de faturamento em um intervalo de apenas 12 meses. A própria estatal admite, em relatório interno, que a empresa não conseguiu se adaptar ao novo cenário após o fim do monopólio na distribuição dessas encomendas.
Os números sobre a movimentação física de pacotes explicam o rombo financeiro. Nos primeiros nove meses de 2025, os Correios transportaram apenas 41 milhões de objetos internacionais, contra 149 milhões no mesmo período do ano anterior. O mês de setembro de 2025 registrou o menor volume em quase dois anos, com apenas 3 milhões de encomendas entregues.
A estatal descreve a situação atual como um "ciclo vicioso". Com menos pacotes internacionais, que historicamente tinham uma margem de lucro maior, a empresa perde geração de caixa. Isso afeta a qualidade da operação e a capacidade de investimento, o que, por sua vez, afasta grandes clientes corporativos que hoje representam mais de 50% da receita da companhia.
O avanço de transportadoras privadas e dos centros de logística próprios de marketplaces como Mercado Livre e Amazon também acelerou a obsolescência do modelo de negócios dos Correios para o comércio eletrônico internacional.