Negócios
Publicado em 27/05/2026, às 13h18 Reprodução/Magnific Giovana Gurgel
O Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Rio Grande do Norte (Sebrae-RN) lançará no próximo dia 1º de junho, em Assú, um programa para interiorizar a carcinicultura e ampliar a produção de camarão no Estado, com foco em empregos, competitividade e expansão econômica. A apresentação oficial ocorrerá às 9h, no Cine Teatro Pedro Amorim.
A iniciativa, chamada "Programa de Interiorização da Carcinicultura", foi articulada em parceria com o Governo do Estado; o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA); a Fundação de Apoio à Educação e ao Desenvolvimento Tecnológico do Rio Grande do Norte (Funcern); e o Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN).
A proposta é levar a atividade para regiões do interior potiguar com potencial hídrico e produtivo, reduzindo a concentração histórica do cultivo no litoral e abrindo espaço para novos polos de desenvolvimento no semiárido.
Segundo Marcelo Medeiros, gestor da área de aquicultura do Sebrae-RN, o programa busca estimular práticas sustentáveis, qualificar produtores e fortalecer a competitividade da cadeia.
“O programa busca incentivar práticas sustentáveis na cadeia produtiva da carcinicultura, promovendo inovação, qualificação técnica e fortalecimento da competitividade do setor no Estado”, afirmou Medeiros.
O avanço ocorre em um momento de expansão da atividade no RN, que já se consolidou como o segundo maior produtor de camarão cultivado do Brasil, atrás apenas do Ceará, e responde por cerca de 25% da produção nacional.
Os dados mais recentes apontam que a carcinicultura potiguar movimenta mais de R$ 1 bilhão por ano e gera entre 25 mil e 35 mil empregos diretos, especialmente em municípios do semiárido, onde a formalização do trabalho rural ainda enfrenta limites. A produção estadual é estimada em cerca de 45 mil toneladas anuais, segundo projeções da Associação Norte-Rio-Grandense de Criadores de Camarão (ANCC).
A estratégia de interiorização tenta reproduzir, ao menos em parte, o modelo do Ceará, onde a expansão para áreas continentais teve papel decisivo no crescimento do setor. No RN, as ações devem se concentrar no Vale do Açu, na Chapada do Apodi e no Seridó.
Além de ampliar a produção, o projeto também mira a redução de conflitos ambientais historicamente associados ao cultivo em áreas de manguezal no litoral. Para o governo estadual e para o setor produtivo, a interiorização surge como alternativa para dar mais regularidade ambiental e segurança jurídica à atividade.
Atualmente, cerca de 75% da produção potiguar já conta com licenciamento ambiental e outorga de uso da água, segundo dados do governo estadual.
O setor também acompanha negociações do Ministério da Agricultura para uma eventual reabertura do mercado europeu e para a habilitação sanitária das exportações à China, hoje o maior consumidor mundial de camarão.
A expectativa é que uma eventual retomada das vendas externas impulsione investimentos e acelere a expansão da atividade nos próximos anos, já que a maior parte da produção potiguar segue voltada ao mercado interno.
O programa lançado pelo Sebrae-RN também chega em meio ao fortalecimento institucional da cadeia. Em novembro de 2025, o governo estadual sancionou a Lei de Interiorização da Carcinicultura, com incentivos para pequenos e médios produtores ampliarem o cultivo no interior.
O Estado também vem ampliando a capacidade de processamento industrial. Hoje, o RN conta com pelo menos quatro plantas voltadas ao beneficiamento e ao congelamento do camarão cultivado. No cenário nacional, o Brasil produziu cerca de 210 mil toneladas de camarão cultivado em 2024, com movimentação estimada em R$ 5 bilhões, segundo dados apresentados na Fenacam 2025, feira realizada em Natal.
A combinação entre interiorização, avanço tecnológico e possível retomada das exportações é tratada pelo governo estadual e pelo setor produtivo como a base para um novo ciclo de crescimento da carcinicultura potiguar.
Classificação Indicativa: Livre