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Publicado em 05/04/2026, às 06h00 Imagem gerada por IA Anderson Barbosa
A redução da inadimplência no Rio Grande do Norte não significa alívio para o consumidor. Apesar da queda no número de pessoas com contas em atraso, o alto nível de endividamento e o crescimento de casos de negativação indevida mantêm o cenário de atenção.
Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) apontam que a taxa de inadimplência no estado caiu para 29,9% em fevereiro de 2026, uma redução de 7,9 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano passado.
Por outro lado, o endividamento segue elevado: 84,6% das famílias potiguares possuem algum tipo de dívida, o que compromete a renda e aumenta o risco de novos atrasos — além de ampliar a exposição a problemas como a negativação do nome.
O momento é considerado de ajuste econômico. A queda da inadimplência indica um esforço das famílias para reorganizar as finanças, enquanto o alto nível de endividamento mostra que o orçamento ainda está pressionado.
Fatores como renegociação de dívidas, despesas típicas do início do ano e maior cautela no uso do crédito ajudam a explicar o movimento. Ainda assim, juros elevados e custo de vida alto dificultam uma recuperação mais rápida.
No Nordeste, o Rio Grande do Norte segue entre os estados com maior percentual de famílias endividadas. Em fevereiro, segundo o Mapa da Inadimplência e Negociação de Dívidas no Brasil, pelo menos 50,44% dos potiguares possuíam dívidas. Apenas o Ceará (51,71%) tinham mais gente endividada. Na sequência, aparecem Pernambuco (50,28%), Alagoas (46,74%), Maranhão (45,86%), Sergipe (43,95%), Bahia (43,61%), Paraíba (43,53%) e Piauí (40,76%).
Além das dificuldades financeiras, cresce no Brasil um problema que afeta diretamente os consumidores: a negativação indevida.
Seja por erros operacionais ou fraudes digitais, o registro injusto em órgãos de proteção ao crédito pode gerar transtornos financeiros e até danos morais.
De acordo com o advogado Jeoás Santos, o aumento da inadimplência também eleva o risco de falhas.
Com o crescimento da inadimplência, cresce também a probabilidade de erros e de situações em que o consumidor é negativado injustamente”, afirma.
Um dos principais fatores por trás da negativação indevida atualmente são os golpes digitais. Criminosos utilizam dados pessoais para abrir contas, solicitar empréstimos ou realizar compras em nome de terceiros.
“Muitas pessoas só descobrem o problema quando tentam um financiamento ou cartão de crédito e recebem a negativa”, explica o advogado.
Entre os casos mais recorrentes estão:
Ao descobrir uma negativação indevida, o consumidor deve agir rapidamente:
Caso não haja solução, a orientação é buscar apoio jurídico.
Segundo Jeoás Santos, após a comprovação do erro, a retirada do nome deve ser rápida.
Na prática, as empresas costumam resolver em até cinco dias. A demora pode gerar responsabilização”, destaca.
Em situações de fraude, o boletim de ocorrência, embora não obrigatório, é altamente recomendado.
Empresas podem ser responsabilizadas em casos de falha na segurança, cobrança indevida, erro na verificação de identidade e/ou demora na retirada do nome. Na maioria das situações, a Justiça reconhece o direito à indenização por dano moral.
O dano é presumido, ou seja, não é necessário comprovar prejuízo concreto”, explica o advogado.
A prevenção é fundamental. Especialistas recomendam:
“A informação é a principal aliada do consumidor. Monitorar o CPF e agir rápido pode evitar prejuízos maiores”, conclui Jeoás Santos.
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