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Publicado em 30/06/2026, às 10h40 Envato/Fecomércio Malu Machado
Os jogos da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026 viraram o principal motor da economiapara o setor de alimentação no Rio Grande do Norte. O faturamento de bares e restaurantes do estado chega a triplicar nos dias em que a Amarelinha entra em campo, quando comparado a dias comuns da semana.
De acordo com a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel/RN), esse boom histórico no movimento tem obrigado os estabelecimentos locais a reforçar suas equipes de atendimento, contratar mão de obra temporária e reajustar toda a logística de estoque para dar conta da alta demanda de torcedores.
Para fisgar o cliente, os empresários potiguares estão precisando usar a criatividade e adaptar a operação a horários que fogem do padrão tradicional do comércio.
De acordo com o presidente da Abrasel/RN, Thiago Machado, os estabelecimentos têm buscado diferentes estratégias para atrair o público durante as partidas, desde promoções simples até grandes investimentos em infraestrutura.
Não é um horário de happy hour e também não é um horário que a gente tenha histórico, pelo menos nesses jogos passados dessa Copa. Então, as casas se adaptaram. Quem tem fôlego financeiro consegue decorar as casas, contratar som, contratar telão. Quem não tem fôlego faz o que dá. Se mantém aí, faz algumas promoções com o cardápio que já existe”, explicou.
Muitos estabelecimentos que sequer funcionavam no período diurno mudaram seus expedientes e passaram a abrir as portas mais cedo para acompanhar as transmissões.
O impacto positivo também é sentido no setor de entregas. O delivery potiguar registrou um aumento expressivo com combos especiais e produtos por encomenda, como petiscarias que oferecem quiches, tortas e pratos com camarão adaptados para o consumo fora do local.
A movimentação financeira provocada pelo Mundial não se encerra quando o juiz apita o final da partida. Segundo a Abrasel, existe um efeito cascata que beneficia diretamente outros nichos da gastronomia nas horas seguintes aos jogos.
Lanchonetes, hamburguerias e pizzarias registram um acréscimo de 15% a 20% no movimento nos dias de pós-jogo.
“As pessoas não vão assistir aos jogos nesses lugares, mas quando saem do jogo, vão lanchar. Então, isso é um movimento muito interessante”, revelou o presidente da entidade.
Apesar do otimismo com os números expressivos em datas específicas, a Abrasel/RN ressalta que o setor ainda enfrenta um cenário desafiador e de baixa rotatividade no dia a dia. Por isso, os jogos da Seleção Brasileira funcionam mais como um fôlego temporário para o fluxo de caixa do que como uma mudança estrutural definitiva.
Na realidade dos bairros de Natal, os empresários confirmam o impacto do torneio. Ricardo Fernandes, sócio do Bafafá Bar, destacou para a Tribuna do Norte que o Mundial tem sido decisivo para melhorar o movimento em um período que historicamente costuma ser considerado fraco para o comércio na capital.
A Copa veio para salvar. Nos dias de jogo, que a gente não costuma abrir e não teria tanto movimento, ela vem realmente se destacando nesse sentido”, afirmou o empresário, que investiu em telão, fechamento de rua autorizado, promoções de cerveja, pagode e feijoada para atrair a clientela.
Quem também está comemorando os resultados é Erivan Amaral, sócio do Beliscar Espetinho e Petisco. Ele revela que o faturamento de sua casa cresceu cerca de 30% nos dias de jogo da Seleção.
“São as nossas promoções muito boas, a ornamentação, uma forma de atrair as pessoas que vêm para cá. E o nosso público é um público cativo, sempre são as mesmas pessoas que frequentam”, concluiu.