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Negócios

Presidente da Febrac alerta para riscos do fim da escala 6x1 e defende modernização das leis trabalhistas

Apesar dos avanços da reforma de 2017, Edmilson Pereira aponta a necessidade de simplificação e maior previsibilidade nas relações de trabalho  |  Divulgação

Publicado em 30/06/2026, às 10h23   Divulgação   Redação

O debate sobre o futuro das relações de trabalho voltou ao centro das discussões nacionais. Enquanto propostas como o fim da escala 6x1 e mudanças na jornada 12x36 avançam no Congresso Nacional, representantes do setor produtivo defendem que qualquer alteração seja precedida de estudos técnicos para evitar impactos sobre a geração de empregos e a prestação de serviços essenciais.

Em entrevista exclusiva ao BNews RN, o empresário potiguar Edmilson Pereira de Assis, fundador e CEO do Grupo Interfort e presidente da Federação Nacional das Empresas Prestadoras de Serviços de Limpeza e Conservação (Febrac), afirmou que o país precisa continuar modernizando sua legislação trabalhista, mas sem criar insegurança jurídica ou elevar os custos de contratação.

Natural de Santa Cruz, no interior do Rio Grande do Norte, Edmilson construiu uma das maiores empresas brasileiras dos segmentos de segurança privada e facilities.

Atualmente, o Grupo Interfort atua em mais de 500 municípios brasileiros e emprega cerca de 16 mil trabalhadores, enquanto a Febrac representa um dos setores que mais geram empregos formais no país.

Reforma trabalhista trouxe avanços, mas ainda há desafios

Participante das discussões que antecederam a reforma trabalhista de 2017, Edmilson considera que as mudanças implementadas há quase uma década produziram resultados positivos, principalmente ao ampliar o espaço para a negociação coletiva entre empregadores e trabalhadores.

Segundo ele, a reforma representou um passo importante para dar maior previsibilidade às relações de trabalho, embora ainda existam desafios relacionados à simplificação das normas e à segurança jurídica.

O balanço é positivo, mas o Brasil ainda precisa avançar em previsibilidade, simplificação e segurança jurídica. Modernizar não significa retirar direitos. Significa criar condições para que as empresas possam contratar, manter empregos formais e investir com mais previsibilidade."

Na avaliação do empresário, um ambiente regulatório mais estável favorece tanto empresas quanto trabalhadores, ao reduzir conflitos e incentivar novos investimentos.

Debate sobre o fim da escala 6x1 exige cautela

Entre os temas que mais mobilizam o setor está a proposta de redução da jornada semanal e o possível fim da escala 6x1.

Para Edmilson Pereira, discutir qualidade de vida e equilíbrio entre trabalho e descanso é legítimo. Entretanto, ele avalia que mudanças estruturais precisam considerar as características de cada atividade econômica.

Segundo o presidente da Febrac, segmentos como limpeza urbana, hospitais, aeroportos, escolas, órgãos públicos e serviços de conservação funcionam de forma ininterrupta e dependem de escalas específicas para manter suas operações.

Uma alteração ampla, afirma, poderá pressionar custos operacionais, elevar despesas com pessoal e comprometer contratos públicos e privados.

"Nossa defesa é que esse debate seja construído com diálogo técnico, participação dos setores envolvidos e avaliação responsável dos impactos econômicos, sociais e operacionais."

Edmilson Pereira avalia que mudanças estruturais precisam considerar as características de cada atividade econômica.

Jornada 12x36 é considerada essencial

Outro ponto que preocupa o setor é a possibilidade de alterações na jornada 12x36.

Segundo Edmilson, esse modelo tornou-se fundamental para áreas que necessitam de funcionamento contínuo durante as 24 horas do dia.

Hospitais, portarias, serviços de facilities, aeroportos, limpeza hospitalar e diversos órgãos públicos organizam suas equipes com base nesse sistema de trabalho.

Na avaliação da Febrac, mudanças sem um período de adaptação poderão exigir novas contratações imediatas, aumentar custos e provocar insegurança jurídica.

Por isso, o dirigente defende que eventuais alterações sejam negociadas por meio das convenções coletivas de trabalho.

Modernização deve preservar direitos

Embora reconheça a necessidade de atualizar a legislação trabalhista, Edmilson afirma que esse processo não deve significar redução de direitos.

Segundo ele, o principal desafio está na simplificação das regras, na redução da burocracia e no fortalecimento da negociação coletiva.

O país precisa dar mais clareza às normas e evitar conflitos desnecessários. Modernizar é permitir soluções compatíveis com a realidade de cada atividade econômica."

Ele também alerta que regras excessivamente complexas acabam estimulando a informalidade e dificultando novas contratações.

Custos preocupam empresas que mais empregam

Responsável por representar um segmento intensivo em mão de obra, a Febrac acompanha com preocupação qualquer proposta que altere jornadas, encargos ou regras trabalhistas.

Segundo Edmilson, empresas de facilities frequentemente trabalham com margens reduzidas, sobretudo em contratos públicos e licitações de longo prazo.

Por isso, alterações que aumentem o custo da folha de pagamento podem comprometer a sustentabilidade financeira de diversas operações.

Entre as medidas consideradas prioritárias pelo setor estão a continuidade da desoneração da folha de pagamentos e mecanismos que permitam o reequilíbrio econômico-financeiro dos contratos públicos quando houver mudanças legislativas.

Ambiente de negócios ainda apresenta obstáculos

Ao analisar o cenário econômico brasileiro, o empresário afirma que o país ainda apresenta barreiras significativas para quem investe e gera empregos.

Na avaliação dele, fatores como elevada carga tributária, burocracia, insegurança jurídica e instabilidade regulatória dificultam o planejamento empresarial.

Sem previsibilidade, explica, as empresas reduzem investimentos, adiam expansões e encontram mais dificuldades para contratar e qualificar trabalhadores.

Inteligência artificial deve complementar o trabalho humano

Questionado sobre o avanço da automação e da inteligência artificial, Edmilson rejeita a ideia de que a tecnologia represente uma ameaça inevitável aos trabalhadores.

Para ele, a transformação digital tende a aumentar a produtividade e melhorar a qualidade dos serviços prestados.

O desafio, afirma, será investir na qualificação profissional para preparar trabalhadores para novas funções e competências.

A automação deve ser vista como instrumento para melhorar a gestão, aumentar a eficiência e elevar a qualidade dos serviços, e não apenas como substituição da mão de obra."

Rio Grande do Norte tem potencial para ampliar empregos

Ao comentar a economia potiguar, Edmilson destacou que o Rio Grande do Norte reúne condições para ampliar significativamente a geração de empregos formais.

Segundo ele, setores como turismo, comércio, limpeza urbana, conservação, segurança privada e facilities possuem elevada capacidade de absorção de mão de obra.

Para que isso aconteça, entretanto, será necessário reduzir burocracias, ampliar investimentos em infraestrutura, qualificar trabalhadores e garantir segurança jurídica aos investidores.

Congresso analisa pautas prioritárias

Entre os projetos acompanhados pela Febrac estão propostas relacionadas à jornada de trabalho, escala 6x1, jornada 12x36, insalubridade, programa Jovem Aprendiz, desoneração da folha, reforma administrativa e segurança jurídica.

Segundo Edmilson Pereira, a entidade não se opõe ao debate sobre novas formas de organização do trabalho.

O que defende, afirma, é que as decisões sejam tomadas com base em estudos técnicos e diálogo entre empresas, trabalhadores e poder público.

Debate não deve ser ideológico

Na avaliação do presidente da Febrac, discussões envolvendo alterações na legislação trabalhista não podem ser conduzidas sob uma perspectiva exclusivamente política.

Segundo ele, o foco deve estar na análise dos impactos econômicos e sociais que cada mudança poderá produzir.

O Brasil precisa encontrar um equilíbrio entre qualidade de vida, preservação dos empregos formais, competitividade das empresas e continuidade dos serviços essenciais prestados à população."

Quem é Edmilson Pereira

Natural de Santa Cruz (RN), Edmilson Pereira iniciou sua trajetória profissional como menor aprendiz do Banco do Brasil antes de fundar o Grupo Interfort.

Hoje, a empresa está presente em mais de 500 cidades brasileiras e gera cerca de 16 mil empregos diretos, consolidando-se entre as maiores do país nos segmentos de segurança privada, facilities e terceirização de serviços.

Natural de Santa Cruz (RN), Edmilson Pereira iniciou sua trajetória profissional como menor aprendiz do Banco do Brasil antes de fundar o Grupo Interfort.

Além da atuação empresarial, Edmilson preside a Federação Nacional das Empresas Prestadoras de Serviços de Limpeza e Conservação (Febrac) e lidera entidades patronais como o Seac-RN, o Sindesp-RN e o Sindprest-RN, participando das principais discussões nacionais sobre legislação trabalhista, terceirização, desoneração da folha de pagamentos e desenvolvimento do setor de serviços.

Em reconhecimento à sua contribuição para a economia e à geração de empregos, recebeu da Câmara Municipal de Natal o título de Cidadão Natalense.

Classificação Indicativa: Livre


TagsEscala 6x1FebracReforma trabalhista