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Negócios

Plantação de uva no RN é atacada por praga

O Ministério da Agricultura inclui o Rio Grande do Norte na lista de estados com a praga que afeta videiras  |  

Publicado em 10/11/2025, às 10h12      BNews Natal

Um sinal de alerta para produtores de uva do Rio Grande do Norte. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) reconheceu oficialmente a presença da praga quarentenária Xanthomonas campestris pv. Vitícola e inclui o Estado na lista de unidades da federação com ocorrência da bactéria que atinge plantações de videira.

A medida consta na portaria (nº 1.443), publicada no Diário Oficial da União e já mobiliza produtores e autoridades potiguares. “Estamos nos reunindo para saber qual a melhor decisão a se tomar. Tanto pode ser a erradicação dessas lavouras, como pode ser também solicitar ao Ministério a mudança do status sanitário do Rio Grande do Norte, como ocorre, por exemplo, em Pernambuco e Bahia, que têm a ocorrência da doença, mesmo assim eles são os maiores produtores, exportadores de frutas”, destacou o secretário estadual de Agricultura, Pecuária e Pesca (Sape), Guilherme Saldanha.

Ainda de acordo com Saldanha, o aparecimento da doença está relacionado ao avanço recente do cultivo de uvas no território potiguar. Ele explica que Estado não tinha tradição na produção da fruta e, por isso, o monitoramento da praga não fazia parte da rotina do setor. 

“O Rio Grande do Norte não era um produtor de uva. Consequentemente não se pesquisava com certa regularidade essa doença. E ao longo dos últimos três, quatro anos tem aparecido empresas investindo nesse segmento, inclusive produzindo vinho e o Idiarn fez um trabalho sobre a ocorrência de Xanthomonas aqui, porque não tinha esse conhecimento. Para nossa surpresa, apareceu a doença”, detalha.
A praga não altera o aspecto da fruta, mas pode comprometer o desenvolvimento das plantas, por isso a preocupação no momento é evitar prejuízos, já que existe empresa investindo pesado nessa nova produção.

Entenda o que é a praga

A praga detectada pelo Ministério da Agricultura é conhecida como Cancro-Bacteriano da videira - uma doença de origem bacteriana que atinge as plantas de uva e está entre as mais preocupantes para a viticultura brasileira. Ela provoca lesões que comprometem folhas, ramos e frutos, podendo levar à morte da planta quando não controlada.

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) já acompanha a doença no Brasil e alerta que os primeiros sintomas:  

• Pequenos pontos escuros de 1 a 2 milímetros de diâmetro, com ou sem halo amarelado ao redor, nas folhas. Essas manchas podem se unir e causar a necrose de grandes áreas do tecido foliar.

• Nos ramos, nervuras e cachos, surgem manchas escuras e alongadas que evoluem para fissuras de coloração negra — os chamados cancros. 

• Já as bagas (frutos) tornam-se irregulares em tamanho e cor, podendo apresentar áreas necróticas.

A identificação precoce de focos permite adotar medidas de contenção e impedir que a doença se espalhe. Entre as principais ações de controle estão o uso de mudas sadias, a eliminação de ramos infectados e a desinfecção das ferramentas após o uso em plantas doentes.

Por se tratar de uma praga quarentenária A2, o Cancro-Bacteriano tem circulação restrita no País. Ele é tradicionalmente registrado nas regiões de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA), polos produtores do Vale do São Francisco. 

O transporte de material vegetativo dessas áreas para outras partes do Brasil é proibido, justamente para evitar a disseminação da doença.

Classificação Indicativa: Livre


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