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Negócios

Novo tarifaço dos EUA ameaça exportação de pescados do RN

O presidente do Sindipesca-RN alerta que a falta de apoio do governo dificulta a reabertura do mercado europeu para os pescados  |  Elí Bernardo, BNews RN

Publicado em 15/07/2026, às 13h05 - Atualizado às 13h10   Elí Bernardo, BNews RN   Eli Bernardo

A definição da nova taxação sobre produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos da América, prevista para esta quarta-feira (15), já ameaça setores e cadeias de produção em estados do Brasil, como é o caso do Rio Grande do Norte.

No RN, o setor pesqueiro enxerga com preocupação e angústia o possível tarifaço de 25%, aplicado pelo EUA, na exportação de produtos, como explicou o, presidente do Sindicato da Indústria da Pesca do RN, Arimar França Filho.

“O setor da pesca aqui do estado e do Brasil, do modo geral, vê com angústia. A gente ainda está curtindo essa ressaca do primeiro tarifaço, que impactou muito as empresas do Estado, uma vez que a gente trabalha muito com pescado fresco, e esse pescado fresco, produzido no Estado, de alta qualidade, só tem dois destinos, ou Estados Unidos ou Europa”, contou Arimar.

A atual taxação para exportação de produtos desse seguimento hoje é de 10% e o setor ainda se recupera do primeiro semestre.

"O Brasil está impossibilitado de exportar para a União Europeia desde o ano de 2018. Tratativas de governo estão sendo feitas, mas nada ainda foi finalizado. Há um mês a gente recebeu uma auditoria e estamos aguardando isso. Então, a gente fica sem outro destino para o nosso produto”, descreve.

Hoje, o principal país que o setor de pesca do RN exporta é os Estados Unidos.

“Quando a gente fala em produtos congelados, há outros mercados na Ásia, tipo para a lagosta, para outros peixes pescados no Sul, mas para o pescado costeiro, como o atum e a fins, que é o nosso forte aqui no Rio Grande do Norte, esses pescados costeiros, tanto fresco como congelado, o mercado é os Estados Unidos”, destacou o presidente do Sindipesca.

Anualmente, o mercado potiguar exporta cerca de U$ 50 milhões em pescados para os Estados Unidos, principalmente o atum destinado à culinária japonesa e o peixe espada, ainda segundo o Sindipesca-RN.

Segundo Arimar, uma das maiores dificuldades para que o Estado não dependa só dos Estados Unidos e exportar para outros, é a falta de apoio mais forte do Governo Federal, do Ministério da Agricultura e do Ministério da Pesca para reabrir o mercado europeu.

“Sem esse mercado, a gente está na mão dos Estados Unidos. Está todo mundo aflito, sem saber o que vai ser nos próximos dias. A cadeia da pesca, ela não pode ser desenvolvida de um dia para o outro. A gente tem um trabalhador pouco escolarizado, mas muito qualificado. Se a gente perde esse pescador, é difícil repor essa mão de obra”, disse o representante do setor pesqueiro.

O Sindipesca ainda pontuou que comparado ao primeiro semestre desse ano com 2025, a maioria das empresas teve queda no faturamento de mais de 50%.

“Então, isso já está inviabilizando a manutenção e geração de empregos, projeções que as empresas vinham fazendo de crescimento, construção de barco, manutenção, melhoria de frota, treinamento, aumento da capacidade de indústria. Então, engessou. A insegurançapara a gente está muito grande”, lamentou Arimar.

“A gente já trabalha com uma insegurança muito grande por parte dos órgãos governamentais. Ordenamento pesqueiro, questão sanitária. Então, agora foi meio que o tiro no setor”.

Segundo detalhou o presidente do Sindipesca, dependendo do que for decidido nesta quarta-feira, a taxação pode ir para 25% ou para 37%.

“Com 10% a gente ainda está conseguindo absorver. Pegou boa parte dos nossos lucros, mas a gente está conseguindo absorver. Mas se for para 37%, a longo prazo, provavelmente esse setor vai parar”, alertou Arimar França.
Além de movimentar a economia, o setor também impacta na geração de empregos.

“No primeiro tarifaço a gente conseguiu segurar, foi dado férias, mas já houve demissões e empresas já fecharam as portas. Filiadas ao nosso sindicato, eram 17 empresas, hoje têm 15. Mas outras empresas que são voltadas para o consumo interno, não são filiadas ao sindicato. Mas a gente tem sentido esse forte problema em toda a cadeia. Tanto na parte de pesca industrial, como na pesca artesanal" disse o presidente do Sindicato da Pesca do RN.

Mesmo que haja o tarifaço de 25% e isso diminua o volume de exportações para o exterior, o consumidor ainda não sentirá no bolso os impactos dessa medida do Governo Trump, nesse momento.

A curto prazo e a médio prazo não vai haver impacto. Talvez até tenha uma oferta maior e o preço caia. Mas a longo prazo, as empresas não vão conseguir se manter e vai faltar esse
Produto”, projetou Arimar França.

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