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Publicado em 20/10/2026, às 12h35 Reprodução: Internet Redação
A identificação de gás natural em um poço terrestre na Bacia Potiguar abriu novas perspectivas para o setor de petróleo e gás do Rio Grande do Norte. A descoberta, anunciada pela Brava Energia, mobiliza representantes da indústria e de trabalhadores, que veem potencial para ampliar os investimentos na exploração onshore, movimentar a cadeia de fornecedores e estimular a geração de empregos no estado.
O resultado foi comunicado ao mercado em 15 de outubro, quando a empresa informou à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) a presença de hidrocarbonetos no primeiro poço exploratório perfurado pela companhia no Campo de Sanhaçu.
A operação alcançou 2.230 metros de profundidade e identificou gás no reservatório principal, mas ainda serão necessários estudos técnicos para determinar o tamanho da acumulação e avaliar a viabilidade de uma futura produção comercial.
Descoberta pode impulsionar cadeia produtiva do petróleo no RN
A expectativa de novos investimentos é um dos principais efeitos apontados por representantes do setor. Para Criste Jones, presidente da Rede de Petróleo, Gás e Energia (Redepetro RN), a identificação de gás representa uma perspectiva positiva para a exploração terrestre e para as empresas que fornecem produtos e serviços à indústria petrolífera potiguar.
Embora o projeto ainda esteja na fase de avaliação do reservatório e de sua viabilidade econômica, Jones considera que o resultado pode abrir espaço para um novo ciclo de atividades na região. Entre os segmentos que podem ser beneficiados estão engenharia, testes de poços, perfuração, manutenção de equipamentos, logística e infraestrutura para o transporte do gás.
Ainda que o projeto esteja na fase de dimensionamento do reservatório e viabilidade comercial, a perspectiva de desenvolvimento dessa acumulação abre caminho para novos ciclos de investimento na região. Isso engloba serviços de engenharia, teste de poços, perfuração, manutenção, logística e infraestrutura de escoamento”, afirma.
O possível aumento da oferta de gás natural também pode ter reflexos sobre a competitividade das empresas instaladas no Rio Grande do Norte. Segundo o presidente da Redepetro RN, a expansão dessa atividade tem potencial para fortalecer o polo de processamento e a transição energética, além de contribuir para a geração de postos de trabalho e renda.
Sindipetro-RN vê potencial para ampliar riqueza e empregos
A descoberta também é avaliada positivamente pelo Sindicato dos Petroleiros e Petroleiras do Rio Grande do Norte (Sindipetro-RN). Para Marcos Brasil, coordenador-geral da entidade, o desenvolvimento de uma produção comercial relevante poderá ampliar a riqueza gerada no estado e estimular a chegada de novos investimentos.
“Se der uma produção relevante, representa mais riqueza para o estado, porque o gás é valioso no mundo inteiro, e vai atrair novos investimentos para viabilizar essa produção”, projeta.
Na avaliação do representante sindical, a exploração também pode movimentar outros segmentos da economia. A implantação de uma eventual estrutura produtiva demanda trabalhadores, equipamentos e serviços especializados, criando oportunidades para empresas que atuam direta ou indiretamente na cadeia de petróleo e gás.
Os possíveis benefícios, contudo, dependerão dos resultados das próximas etapas do projeto. A identificação de gás no poço é um avanço exploratório, mas não significa que a empresa já tenha confirmado volumes comercialmente viáveis ou definido a implantação de uma nova unidade de produção.
Brava Energia ainda precisa avaliar potencial do reservatório
Após a identificação de hidrocarbonetos no poço 3-SAN-6D-RN, a Brava Energia deverá avançar nas avaliações técnicas para dimensionar a acumulação e estimar sua capacidade produtiva. Essa etapa é necessária para determinar se o volume identificado justifica economicamente o desenvolvimento do campo.
Até o momento, a companhia não divulgou estimativas de recursos, projeções de produção ou um cronograma para o início de uma eventual operação comercial. A empresa informou que manterá o mercado atualizado sobre os resultados do projeto.
A diferença entre uma descoberta exploratória e uma produção comercial é importante para dimensionar os possíveis efeitos econômicos da notícia. A presença de gás confirma a identificação de hidrocarbonetos no reservatório, mas ainda são necessários dados adicionais para estabelecer o potencial da área e as condições necessárias para sua exploração.
Por isso, embora o anúncio tenha despertado expectativas no setor produtivo potiguar, os impactos sobre a produção estadual, a contratação de fornecedores e a geração de empregos ainda dependem das decisões técnicas e econômicas que serão tomadas pela companhia.
Campo de Sanhaçu integra o cluster Potiguar
O Campo de Sanhaçu faz parte do cluster Potiguar e foi adquirido pela Brava Energia em dezembro de 2021. A produção no local teve início em 2012, e o término está previsto para 25 de novembro de 2036.
A descoberta ocorre em uma região com histórico de exploração terrestre de petróleo e gás, atividade que movimenta uma rede de fornecedores e serviços especializados. Nesse contexto, a confirmação de novas acumulações pode representar uma oportunidade para ampliar o aproveitamento dos recursos existentes, desde que os estudos indiquem viabilidade comercial.
Caso o desenvolvimento do reservatório avance, os efeitos poderão alcançar diferentes etapas da cadeia produtiva, desde os trabalhos de engenharia e perfuração até a manutenção, a logística e o escoamento do gás natural.
Por enquanto, o principal resultado é a identificação de gás no poço exploratório. A dimensão da descoberta e sua contribuição futura para a economia do Rio Grande do Norte dependerão das avaliações que a Brava Energia realizará nas próximas fases do projeto.