Negócios
Publicado em 22/10/2026, às 14h40 © Marcello Casal Jr/Agência Brasil Giovana Gurgel
O Brasil chegou a um recorde de 9,3 milhões de empresas inadimplentes em agosto de 2026, com R$ 244,4 bilhões em dívidas atrasadas, segundo levantamento da Serasa Experian. O número representa uma alta de 14,3% em comparação com o mesmo mês de 2025 e evidencia as dificuldades enfrentadas pelos negócios para manter as contas em dia em meio aos juros elevados e à pressão sobre o fluxo de caixa.
As micro e pequenas empresas concentram a maior parte do problema. Ao todo, 8,8 milhões desses negócios estavam inadimplentes, acumulando R$ 211 bilhões em débitos distribuídos por 61,4 milhões de operações.
O levantamento contabilizou 68,2 milhões de dívidas em atraso em todo o país. Em média, cada empresa negativada acumulava 7,4 contas não pagas, com um débito total de R$ 26.355,13 por Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). O valor médio de cada dívida era de R$ 3.583,96.
O setor de serviços concentra 56% das empresas inadimplentes no Brasil, seguido pelo comércio, com 32%, e pela indústria, que representa 8% dos negócios negativados.
De acordo com Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian, o ritmo de crescimento da inadimplência diminuiu em relação ao ano anterior, mas continua elevado. A variação anual caiu de 28,7% para 14,3%, permanecendo na faixa de dois dígitos.
“A inadimplência empresarial cresce em ritmo menor, mas ainda muito elevado”, afirmou a economista.
Segundo ela, o custo do crédito e a dificuldade para equilibrar as contas continuam prejudicando principalmente os empreendimentos de menor porte.
Mesmo com o recorde de empresas inadimplentes, a procura por crédito avançou 11,2% no acumulado de 12 meses. No mesmo período, as concessões de capital de giro cresceram 113,9%, indicando uma demanda maior por recursos para financiar as operações cotidianas.
Para Abdelmalack, o movimento não significa necessariamente que as empresas estejam reduzindo suas dívidas ou ampliando os negócios. A busca por empréstimos estaria relacionada, sobretudo, à necessidade de manter o funcionamento das atividades e cobrir despesas.
“Em um contexto de inadimplência recorde, esse movimento parece estar mais associado à necessidade de financiar o caixa e manter a operação do que à redução do endividamento ou à expansão dos negócios”, avaliou.
Entre as origens dos débitos negativados, o setor de serviços responde por 31,7% do total. Bancos e cartões aparecem em seguida, com 19,7%, enquanto as cooperativas representam 8,5% das dívidas registradas.
Os serviços básicos correspondem a 6,7% dos débitos, e as contas de telefonia representam 6,2%.
O cenário indica que, apesar da desaceleração no ritmo de crescimento da inadimplência, as empresas brasileiras continuam enfrentando dificuldades para honrar compromissos financeiros. A combinação de crédito caro, necessidade de capital de giro e pressão sobre o caixa mantém os pequenos negócios entre os mais vulneráveis.
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