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Mais da metade da população adulta do Rio Grande do Norte está com o nome negativado, segundo os dados mais recentes do Mapa da Inadimplência da Serasa. O Estado soma 1.379.226 inadimplentes, o equivalente a 51,8% dos adultos, que acumulam R$ 7,8 bilhões em dívidas. Ao todo, são 4.477.740 débitos ativos, o que representa mais de três dívidas para cada pessoa negativada.
O valor médio devido por cada potiguar com o nome sujo chega a R$ 5.664,86. O volume de débitos mostra que o problema ultrapassa situações isoladas e representa uma pressão significativa sobre o orçamento das famílias e sobre a economia estadual.
A situação também aparece em outro indicador relacionado ao acesso ao crédito. A pontuação média dos consumidores potiguares caiu de 529 para 524 pontos em um ano, segundo levantamento citado pelo Painel Econômico. O chamado score de crédito funciona como um dos principais parâmetros utilizados pelo mercado para avaliar operações como empréstimos, financiamentos, cartões e compras parceladas.
Com mais de metade dos adultos negativados, os efeitos ultrapassam as finanças pessoais e chegam diretamente ao comércio. Consumidores com restrições no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) tendem a reduzir ou adiar compras, enquanto aqueles que conseguem contratar crédito podem encontrar condições menos favoráveis, com juros maiores ou exigência de garantias.
Para as empresas, o cenário também representa um desafio. O aumento da inadimplência eleva o risco de calote e pode reduzir a circulação de dinheiro na economia. Em um Estado no qual mais de um milhão de adultos enfrentam restrições, a dificuldade para recuperar o poder de compra se transforma em um obstáculo para o comércio e para outros setores dependentes do consumo.
A situação potiguar acompanha uma tendência observada em todo o país. O Mapa da Inadimplência da Serasa completa dez anos em 2026 e aponta 83,5 milhões de brasileiros inadimplentes, número que representa um crescimento de 38% em uma década.
Um dos dados mais preocupantes do levantamento nacional é a permanência das restrições. Cerca de 42% das pessoas negativadas atualmente já enfrentavam problemas relacionados a dívidas há dez anos. O indicador revela que, para uma parcela expressiva dos consumidores, a inadimplência deixou de ser um episódio temporário e passou a fazer parte de um ciclo prolongado de dificuldade financeira.
No Nordeste, o cenário é ainda mais pressionado. Mais de 50% da população adulta da região possui restrições no CPF, colocando o Nordeste entre as áreas com maior concentração de consumidores inadimplentes do país.
No RN, os R$ 7,8 bilhões acumulados em dívidas dão dimensão do tamanho do problema. O montante é próximo da marca de R$ 8 bilhões e envolve milhões de débitos distribuídos entre consumidores que enfrentam dificuldades para regularizar a situação financeira.
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A recuperação do consumidor potiguar depende de uma combinação de fatores, entre eles aumento da renda, redução dos juros e acesso a mecanismos de renegociação. Com o orçamento comprometido, muitos devedores precisam encontrar condições que permitam quitar ou parcelar os débitos sem comprometer ainda mais as despesas básicas.
Nesse cenário, iniciativas de renegociação podem funcionar como uma das principais portas de saída para consumidores negativados. Programas como o Serasa Limpa Nome e feirões de negociação oferecem acordos para dívidas que podem ser quitadas ou parceladas, muitas vezes com descontos.
A redução da inadimplência, porém, não depende apenas da negociação de débitos antigos. A melhora sustentável do cenário passa também pela capacidade das famílias de recuperar renda, reorganizar o orçamento e voltar a acessar crédito em condições que não agravem o endividamento.
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