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Negócios

Emprego privado dispara no RN enquanto setor público encolhe, aponta levantamento

Dados do IBGE revelam reconfiguração no mercado de trabalho potiguar, com aumento na iniciativa privada e queda no setor público  |  © Marcelo Camargo/Agência Brasil

Publicado em 29/06/2026, às 13h05   © Marcelo Camargo/Agência Brasil   Giovana Gurgel

O mercado de trabalho do Rio Grande do Norte registrou uma mudança no perfil das contratações em 2024. Dados do Cadastro Central de Empresas (Cempre), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na última quinta-feira (25), mostram que o número de trabalhadores da iniciativa privada cresceu 6,2%, enquanto o setor público reduziu em 5,4% o total de servidores. Para especialistas, o movimento reflete limitações fiscais enfrentadas pelos governos e o fortalecimento das micro e pequenas empresas na geração de empregos formais.

De acordo com o levantamento, a iniciativa privada passou a reunir 460.096 trabalhadores, o equivalente a 68,1% dos empregos assalariados do estado. Já a administração pública contabilizou 189.017 ocupados, representando 28% do total de trabalhadores formais no RN.

Na avaliação do economista Arthur Néo, o cenário evidencia uma reconfiguração gradual do mercado de trabalho potiguar, impulsionada pelo maior protagonismo do setor empresarial e pelas restrições impostas às contas públicas.

Limites fiscais 

Segundo Arthur Néo, a capacidade de contratação do poder público vem sendo limitada pelas regras fiscais e pela necessidade de controle das despesas com pessoal.

"O setor público, historicamente o maior pagador, enfrenta limitações orçamentárias e sem capacidade de expansão, pois já encontra-se no limite da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que restringem a expansão do quadro de servidores", afirmou.

Para o economista, o crescimento do emprego privado não representa uma recuperação acelerada da economia, mas sim um processo de reorganização após os impactos econômicos dos últimos anos. Segundo ele, esse movimento tem sido sustentado principalmente pelas atividades de comércio e serviços, que concentram grande parte das novas vagas de trabalho.

Setor de serviços 

Os dados do IBGE também apontam expansão de 20% no setor de serviços no Rio Grande do Norte. Apesar do avanço, o segmento ainda permanece atrás do comércio em quantidade de trabalhadores. Arthur Néo avalia que esse desempenho confirma a predominância do setor terciário na economia estadual, embora ressalte que a diversificação ainda ocorra de forma gradual.

"Embora o crescimento de serviços, saúde e tecnologia aponte para uma tentativa de diversificação, o RN ainda depende de setores tradicionais, como comércio e turismo, para absorver a massa de trabalhadores. A diversificação é real, mas ainda em ritmo de 'passos curtos'", analisou.

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Especialista 

Apesar do aumento das vagas na iniciativa privada, o economista destaca que a remuneração média e a estabilidade dos empregos ainda permanecem inferiores às oferecidas pelo setor público. "A quantidade de postos de trabalho aumentou, mas a qualidade e a remuneração média ainda não atingiram o patamar do setor público", observou.

Segundo Arthur Néo, o fato de quase 70% dos trabalhadores formais do estado estarem empregados na iniciativa privada demonstra uma transformação estrutural no mercado de trabalho potiguar. No entanto, ele alerta que a economia ainda apresenta elevado grau de informalidade e forte dependência dos pequenos negócios.

Para consolidar esse crescimento, o economista defende investimentos em qualificação profissional, inovação tecnológica e aumento da produtividade, além da atração de empresas de maior porte.

"O Estado precisa atrair investimentos de maior porte que tragam escala, saindo da dependência exclusiva do microempreendedorismo para fomentar cadeias produtivas de maior valor agregado", concluiu.

Fonte: Agora RN

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