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Publicado em 13/08/2026, às 16h40 Reprodução Jussier Lucas
Uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) aponta que 86% dos consumidores com contas em atraso há mais de três meses relatam ter sofrido danos à saúde física em decorrência do estresse financeiro.
Em Natal, o cenário também chama atenção: segundo dados divulgados pela Fecomércio RN, a inadimplência chegou a 34,1% em julho, cinco pontos percentuais acima da média registrada entre as capitais brasileiras, de 29,8%.
O cenário mostra que as dificuldades financeiras podem ultrapassar o impacto sobre o orçamento doméstico e afetar o bem-estar físico e emocional dos consumidores. Especialistas alertam que a preocupação constante com dívidas pode provocar sintomas relacionados ao estresse, além de interferir na rotina e nas relações familiares.
Para Helington Costa, coordenador do curso de Psicologia da Estácio, a dificuldade de visualizar uma solução para os problemas financeiros pode manter o cérebro em estado de alerta. Segundo ele, mesmo quando a pessoa continua trabalhando e pagando as contas, a preocupação com as dívidas pode contribuir para um quadro de desgaste psicológico.
De acordo com o especialista, o impacto das dívidas também está relacionado ao significado que o dinheiro possui na vida das pessoas, já que as finanças estão ligadas a aspectos como segurança, autonomia, projetos pessoais e responsabilidades familiares.
“O dinheiro frequentemente está associado a projetos de vida, segurança, autonomia e responsabilidades familiares. Por isso, o estresse financeiro pode transformar pequenas situações em grandes conflitos”, explica o neuropsicólogo.
Além dos efeitos emocionais, períodos prolongados de estresse podem se manifestar fisicamente. Entre os sintomas estão fadiga, alterações gastrointestinais e dores musculares.
Segundo Ana Luiza Teixeira, fisioterapeuta e coordenadora do curso de Fisioterapia da Estácio, a tensão prolongada pode atingir diferentes grupos musculares, principalmente na região cervical, nos trapézios e na musculatura mandibular. O quadro pode contribuir para dores musculares, dores de cabeça tensionais e rigidez articular.
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Para quem enfrenta dificuldades para manter as contas em dia, o primeiro passo é identificar com clareza o tamanho das dívidas. Segundo César Barreto, docente do curso de Administração da Estácio, o levantamento deve incluir o valor atualizado de cada débito, taxas de juros, parcelas e condições dos contratos.
Também devem ser considerados compromissos informais, como valores emprestados por familiares e amigos e compras pendentes no comércio local. A organização dessas informações permite identificar quais dívidas possuem maior impacto sobre o orçamento.
“Quando se consolida todos esses dados em um único mapa, é possível visualizar o custo real do passivo financeiro”, orienta César Barreto. O professor destaca ainda que dívidas com juros elevados, como as do cartão de crédito rotativo e do cheque especial, devem receber atenção especial.
Com o orçamento comprometido, a recomendação é priorizar despesas essenciais, como moradia, alimentação, medicamentos, água, energia, gás e transporte para o trabalho. Na sequência, os recursos disponíveis devem ser direcionados, sempre que possível, para as dívidas com taxas de juros mais altas.
Outra orientação é evitar novas compras enquanto os débitos anteriores ainda estiverem em processo de quitação. César Barreto recomenda utilizar recursos já disponíveis, como dinheiro, débito ou Pix, respeitando o saldo existente na conta.
Além da reorganização financeira, o cuidado com a saúde mental pode ajudar no processo de enfrentamento das dívidas. Para Helington Costa, é importante compreender que uma dificuldade financeira não define a identidade de uma pessoa.
“É fundamental separar a situação financeira da identidade da pessoa. Estar endividado é uma condição pela qual alguém pode estar passando e não uma definição de quem essa pessoa é”, afirma.
Em um cenário de inadimplência, portanto, a organização das contas e a busca por alternativas para renegociar os débitos podem ser acompanhadas de atenção aos sinais de desgaste emocional e físico provocados pelo estresse financeiro.