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Arena das Dunas: de palco da Copa a ativo milionário para marcas

Entenda como a Arena das Dunas, em Natal, no RN, se tornou um ativo milionário com o contrato de naming rights com a Casa de Apostas  |  Reprodução: Internet

Publicado em 09/09/2026, às 12h01   Reprodução: Internet   Redação

A Arena das Dunas, em Natal, já faz parte do mercado brasileiro de estádios que transformaram o próprio nome em uma propriedade comercial. Em maio de 2024, o equipamento fechou seu primeiro contrato de naming rights com a Casa de Apostas e passou a adotar comercialmente o nome Casa de Apostas Arena das Dunas.

O acordo foi firmado por cinco anos, com valor estabelecido em R$ 6 milhões, e tem vigência até abril de 2029. As demonstrações financeiras da Arena também registram a operação como cessão do direito de uso da marca, com recebimento previsto em cinco parcelas anuais de R$ 1,2 milhão.

A negociação colocou a Arena das Dunas em uma estratégia comercial já utilizada por outros grandes estádios brasileiros.

A própria Casa de Apostas havia firmado anteriormente um acordo semelhante com a Arena Fonte Nova, em Salvador, que também passou a incorporar o nome da empresa à sua identificação comercial.

Um estádio que virou arena multiuso

Construída para receber jogos da Copa do Mundo de 2014, a Arena das Dunas deixou de ser apenas um espaço destinado ao futebol e consolidou uma operação voltada a diferentes tipos de eventos.

A estrutura possui 114.063,92 metros quadrados de área total, capacidade oficial de 31.375 torcedores e espaços preparados para receber desde reuniões e eventos corporativos até grandes shows e outras produções.

Essa característica é importante para compreender o valor comercial associado ao nome da Arena. A marca não está vinculada apenas aos dias de jogos, mas a um equipamento que recebe atividades esportivas, culturais, musicais e empresariais ao longo do ano.

Em 2025, por exemplo, a Arena informou ter recebido 182 eventos e mais de 1,1 milhão de visitantes, além de registrar 187 dias de ocupação. Os números mostram a dimensão da circulação de público associada ao equipamento.

Construção da Arena das Dunas, em Natal
Arenas das Dunas vista do alto
Iluminação noturna na Arena das Dunas
Arena das Dunas com torcedores nas arquibancadas

Muito além da placa com o nome

O naming rights não significa simplesmente trocar o nome escrito na fachada. Na prática, a marca passa a ser incorporada à comunicação e à identificação comercial do equipamento, criando uma associação direta entre a empresa e o espaço.

No caso de Natal, a Casa de Apostas passou a integrar o próprio nome da Arena. Isso significa que a marca aparece associada a partidas, shows, eventos corporativos e demais atividades realizadas no complexo.

O acordo também foi anunciado junto a investimentos em infraestrutura e tecnologia, entre eles um novo sistema de iluminação cênica e esportiva em LED, apresentado pela Arena como uma estrutura capaz de trabalhar com diferentes cores e efeitos para jogos e eventos.

Para uma empresa, esse tipo de propriedade oferece uma exposição diferente daquela obtida em uma publicidade convencional. O nome passa a acompanhar o próprio local e, consequentemente, aparece na divulgação de eventos, nas notícias e na comunicação relacionada às atividades realizadas no espaço.

O tamanho do negócio

O contrato da Arena das Dunas tem uma dimensão financeira menor que alguns dos maiores acordos de naming rights do futebol brasileiro, mas representa uma nova fonte de receita comercial para o equipamento potiguar.

O valor de R$ 6 milhões por cinco anos equivale a uma média contratual de R$ 1,2 milhão por ano, considerando o valor total divulgado e o período de vigência.

A operação também mostra como arenas esportivas passaram a explorar diferentes propriedades comerciais. Além dos naming rights, a própria Arena registra receitas relacionadas a bilheteria, camarotes, publicidade e locação de espaços.

Esse modelo acompanha a transformação dos grandes estádios em complexos de entretenimento, nos quais o futebol é apenas uma das atividades capazes de gerar circulação, audiência e negócios.

Eventos ampliam o valor da marca

A agenda recente da Arena das Dunas ajuda a explicar essa mudança de perfil. Em 2026, o espaço recebeu, por exemplo, o São João de Natal, que utilizou a área externa para uma programação de grandes shows.

Segundo a própria Arena, a programação junina reuniu quase 800 mil pessoas ao longo de três finais de semana, transformando o complexo em um dos principais polos de entretenimento do evento.

A estrutura também recebe partidas de futebol, espetáculos, eventos corporativos, festivais e outras atividades. A área externa, por exemplo, possui um espaço de 22 mil metros quadrados destinado a grandes shows, feiras, exposições e parques temáticos.

É justamente essa diversidade que amplia o potencial comercial de uma arena. Quanto mais frequente é a utilização do espaço e maior é a circulação de pessoas, mais oportunidades existem para que marcas estejam associadas à experiência proporcionada pelo equipamento.

São João na área externa da Arena das Dunas
Evento na parte interior da Arena das Dunas
Evento no gramado da Arena com utilização de palco
Participantes de evento dentro da Arena das Dunas
Vista noturna de evento dentro da Arena das Dunas
Evento noturno dentro da Arena das Dunas

Um ativo comercial que muda o jogo

A experiência da Arena das Dunas acompanha uma tendência de mercado na qual o nome de estádios e arenas passa a ser negociado como um ativo de marca.

Em Salvador, a estratégia foi fechada mais recentemente mas com a mesma ideia de negócio. A Arena Fonte Nova está entre os principais acordos de naming rights firmados por estádios no Brasil. O contrato com a Casa de Apostas foi fechado no fim de 2023 e passou a valer em janeiro de 2024.

A Arena Fonte Nova está entre os principais acordos de naming rights firmados por estádios no Brasil.

A parceria tem duração de quatro anos e movimenta cerca de R$ 52 milhões, considerando as propriedades comerciais envolvidas.

O acordo substituiu a parceria da Itaipava, marca do Grupo Petrópolis que batizou o estádio durante dez anos, entre 2013 e o fim de 2023. O contrato inicial, firmado em 2013, tinha valor estimado em R$ 10 milhões por ano.

O mercado brasileiro de naming rights ganhou força nos últimos anos com contratos de valores milionários. Entre os casos mais expressivos estão o Mercado Livre Arena Pacaembu, que teve acordo anunciado em R$ 1 bilhão por 30 anos, e o MorumBIS, resultado da parceria entre o São Paulo e a Mondelēz, no valor de R$ 75 milhões por três anos.

Outro contrato de grande relevância é o da Neo Química Arena. O Corinthians fechou com a Hypera Pharma um acordo de R$ 300 milhões por 20 anos para os direitos de nome do estádio.

Outro contrato de grande relevância é o da Neo Química Arena. O Corinthians fechou com a Hypera Pharma um acordo de R$ 300 milhões por 20 anos para os direitos de nome do estádio.

Nesse cenário, o nome deixa de ser apenas uma identificação e passa a fazer parte da estratégia comercial da arena — e, para a empresa parceira, torna-se uma forma de associar sua marca a um dos principais espaços de esporte, entretenimento e eventos não só no RN mas no Brasil e no mundo.

Classificação Indicativa: Livre


TagsCasa de apostasArena das dunasNaming rights