Negócios
Publicado em 08/04/2026, às 13h54 Reprodução/Freepik Giovana Gurgel
O número de empresas que recorreram à recuperação judicial no Brasil bateu recorde em 2025, impulsionado pelo ambiente de crédito caro e desaceleração econômica. Ao todo, 2.466 companhias entraram com pedidos, alta de 13% em relação ao ano anterior, segundo levantamento da Serasa Experian.
O avanço reflete a dificuldade crescente das empresas em manter operações e renegociar dívidas em um cenário de juros elevados, com a taxa Selic ainda em patamar considerado restritivo.
Quando analisados os processos, que podem incluir mais de uma empresa por grupo econômico, foram registrados 977 casos, aumento de 5,5% na comparação anual e próximo do pico histórico observado em 2016.
Na avaliação da economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, o cenário é “alarmante”, ainda que a leitura combinada entre número de empresas e processos permita relativizar o quadro.
Diferentemente da crise de 2016, marcada por recessão profunda, o atual movimento está ligado à desaceleração da atividade econômica somada ao alto custo do crédito.
Mesmo com a Selic tendo recuado recentemente de 15% para 14,75% ao ano, o nível segue elevado, dificultando a rolagem de dívidas e pressionando o caixa das empresas.
O levantamento aponta uma mudança no perfil das empresas em dificuldade financeira. O agronegócio liderou os pedidos de recuperação judicial em 2025, com 743 empresas, o equivalente a 30,1% do total.
Na sequência aparecem os setores de serviços, com 739 pedidos, comércio, com 535, e indústria, com 449 ocorrências.
O peso do agro na economia, estimado em cerca de 21% do Produto Interno Bruto (PIB), aliado a fatores como volatilidade de preços, custos de insumos e riscos climáticos, ajuda a explicar a liderança do setor.
Apesar do recorde, o ritmo de crescimento das recuperações judiciais perdeu força nos últimos anos. Após altas de 36% em 2023 e 26% em 2024, o avanço foi de 13% em 2025.
Ainda assim, especialistas alertam que o cenário segue desafiador. Em janeiro deste ano, o país registrava 8,7 milhões de empresas negativadas, com dívida média superior a R$ 23 mil por CNPJ.
Para o especialista em reestruturação Rodrigo Gallegos, o custo do crédito continua corroendo o fôlego financeiro das empresas.
Paralelamente, cresce o uso da recuperação extrajudicial, modalidade em que empresas negociam diretamente com credores. Em 2025, foram registrados 62 processos desse tipo.
Embora ainda distante dos pedidos judiciais, o modelo vem ganhando espaço por apresentar menor custo e maior flexibilidade.
A relação entre processos judiciais e extrajudiciais também diminuiu. Em 2023, havia um caso extrajudicial para cada 26 judiciais, proporção que caiu para um a cada 16 em 2024 e 2025.
Com juros elevados, inadimplência em alta e atividade econômica desacelerando, o ambiente segue pressionado, mantendo a possibilidade de novos recordes de recuperações judiciais nos próximos anos.
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