Geral
Publicado em 21/06/2026, às 18h53 Foto: Estadão Ranyere Fonseca
A tarde deste domingo foi marcada por um intenso movimento na Avenida Paulista. Sob o mote da legalização da maconha, o ato deste ano reforçou críticas contundentes ao modelo de repressão que, segundo os organizadores, é o principal responsável pelo encarceramento em massa de jovens negros e periféricos no Brasil. Com cartazes, música e discursos, o grupo defendeu a transição para um modelo que trate o consumo de cannabis como questão de saúde pública, justiça social e reparação histórica.
O evento, que transcorreu sob o monitoramento da Polícia Militar sem registros de intercorrências graves, contou com a participação de diversos coletivos. Além da legalização, a pauta da marcha abrangeu a defesa de uma política que integre equidade de gênero, justiça territorial e a facilitação do acesso a medicamentos derivados da planta, que já são essenciais para o tratamento de diversas patologias.
A manifestação deste ano ganhou um tom festivo adicional com a presença do deputado Eduardo Suplicy (PT), que celebrou seu aniversário de 85 anos em meio aos manifestantes, reforçando sua posição histórica em favor do debate sobre a descriminalização.
Para os defensores do movimento, a "legalização popular" é o caminho para estancar a violência associada ao tráfico e à criminalização do cultivo individual e coletivo. O movimento destaca que o modelo atual de proibição, frequentemente chamado de "guerra às drogas", falhou em reduzir o consumo e apenas exacerbou a violência nas periferias. Enquanto a discussão avança timidamente nos tribunais e no parlamento, a Marcha da Maconha reafirma, ano após ano, que o tema permanece no centro do debate sobre os direitos individuais e coletivos no Brasil.