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União Europeia cria nova "taxa das blusinhas" e mira Shein, Temu e AliExpress; entenda o que muda

Embora não direcionada apenas à China, a nova regra impacta fortemente plataformas como Shein, Temu e AliExpress, que dominam o mercado  |  Reprodução

Publicado em 01/07/2026, às 19h15   Reprodução   Jussier Lucas

A União Europeia começou a aplicar, nesta quarta-feira (1º), uma nova taxa sobre importações de baixo valor realizadas por plataformas de comércio eletrônico como Shein, Temu e AliExpress. A medida busca conter o crescimento das varejistas asiáticas e reduzir o impacto da entrada de produtos baratos, principalmente da China, no mercado europeu.

A nova cobrança estabelece uma tarifa fixa de 3 euros por classificação aduaneira em encomendas que antes eram isentas de impostos quando tinham valor inferior a 150 euros. Segundo autoridades europeias, a medida pretende equilibrar a concorrência entre empresas locais e plataformas estrangeiras.

A decisão ocorre após um aumento expressivo no volume de encomendas internacionais recebidas pelo bloco. Dados da Comissão Europeia apontam que o número de remessas isentas saltou de 1,4 bilhão em 2022 para 5,8 bilhões em 2025.

Medida tenta frear crescimento das plataformas chinesas

Embora a União Europeia afirme que a nova regra não seja direcionada exclusivamente à China, empresas como Shein, Temu e AliExpress estão entre as mais impactadas, já que concentram grande parte das vendas de produtos de baixo custo para consumidores europeus.

As autoridades europeias argumentam que a antiga isenção tarifária acabou sendo utilizada em larga escala pelas plataformas digitais, criando uma vantagem competitiva em relação ao comércio tradicional europeu.

Além disso, o bloco também justifica a medida pela necessidade de reforçar a fiscalização sobre produtos importados. Inspeções realizadas em 2025 identificaram que mais de 60% dos itens analisados apresentavam problemas como ausência de documentação obrigatória, falhas na rotulagem ou descumprimento das normas de segurança da União Europeia.

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Preços podem aumentar para consumidores

Embora a legislação determine que a taxa seja paga pelo importador, especialistas avaliam que parte do custo poderá ser repassada ao consumidor final por meio do aumento dos preços praticados nas plataformas.

Outra possibilidade é que empresas pressionem fornecedores para absorver parte dos novos custos, preservando sua competitividade no mercado europeu.

A cobrança ficará em vigor até julho de 2028, quando a nova Autoridade Aduaneira da União Europeia deverá assumir o controle das operações. A partir desse momento, as importações passarão a seguir o novo modelo de tributação previsto pelo bloco.

Plataformas já começam a se adaptar

Após o anúncio da medida, algumas empresas iniciaram mudanças em seus sistemas. A AliExpress informou que passará a exibir aos consumidores, antes da finalização da compra, os valores referentes às tarifas de importação e ao Imposto sobre Valor Agregado (IVA), quando aplicáveis.

A Amazon destacou que a maior parte das encomendas destinadas aos consumidores europeus já é enviada a partir de centros de distribuição localizados dentro da própria União Europeia, reduzindo os impactos da nova regra.

Até o momento, Shein e Temu não divulgaram posicionamentos oficiais sobre a entrada em vigor da cobrança.

A União Europeia também anunciou que, a partir de novembro de 2026, será obrigatória a apresentação de informações mais detalhadas sobre os produtos importados, com o objetivo de ampliar a rastreabilidade das mercadorias e reforçar o controle aduaneiro.

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