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Publicado em 25/02/2026, às 16h51 - Atualizado às 17h15 Reprodução/Redes sociais José Nilton Jr.
Um turista da Argentina passou por uma situação curiosa enquanto estava de férias no Brasil: ele precisou repartir seu sorvete com um jumento e até alimentá-lo. O episódio aconteceu em Jericoacoara, que fica no estado do Ceará.
O momento inusitado foi registrado por uma outra turista residente de São Paulo, que classificou a cena como “muito interessante de ver”. De acordo com ela, o animal parecia estar acostumado à presença de visitantes e agiu com naturalidade.
Nas imagens, o estrangeiro tenta resistir à investida do jumento e chega a dizer “basta”, mas acaba cedendo diante da insistência do animal, que termina saboreando a casquinha.
De acordo com relatos, o jumento se aproximou enquanto o argentino tomava gelato e começou a pedir um pouco da sobremesa. Diante da insistência, o turista pegou outra colher para dividir o sorvete.
A interação arrancou risadas de quem estava por perto e rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais após a divulgação do vídeo.
A gravação mostra o animal tranquilo e aparentemente habituado ao movimento intenso de turistas na vila cearense.
Um atendente da sorveteria onde tudo aconteceu explicou que o jumento costuma aparecer com frequência no local e interagir com clientes.
De acordo com ele, o animal não tem dono e circula livremente por integrar a fauna da área de preservação ambiental.
Dados apontaram que jumento brasileiro, animal muito presente no Nordeste e símbolo da história rural do Brasil, está correndo alto risco de extinção. Um levantamento feito no ano passado mostra que apenas 78 mil animais ainda existem no território nacional. O número representa um declínio de 94% em relação à década de 1990, quando o rebanho somava 1,3 milhão.
Os dados são de um levantamento feito pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), em parceria com o IBGE e o Agrostat, sistema do Ministério da Agricultura, e foram divulgados em junho de 2025.
De acordo com a ONG britânica The Donkey Sanctuary, que realiza pesquisas sobre a diminuição da população dos jumentos no Brasil, a principal causa para o fato está ligada ao comércio internacional da pele do animal.
Essa demanda é oriunda da indústria da China relacionada à medicina tropical do país, que usa o colágeno da carcaça do animal para produzir ejiao, que é um produto utilizado para fins de rejuvenescimento, além de ser afrodisíaco.
Entre os anos de 2018 e 2024, aproximadamente 248 mil jumentos foram abatidos no estado da Bahia, que é o único em todo o Brasil onde existem frigoríficos com licença para praticar tal conduta, de acordo com informações do Ministério da Agricultura.
A The Donkey Sanctuary faz um alerta sobre esse número, relatando que a quantidade de abates pode ser ainda maior, levando em consieração que muitos animais são transportados clandestinamente e submetidos a maus-tratos.