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Publicado em 31/05/2026, às 17h01 Foto: Agência Brasil Ranyere Fonseca
O sonho da graduação no ensino superior transformou-se em uma pesada armadilha financeira para milhares de profissionais formados no Rio Grande do Norte. Dados oficiais do Ministério da Educação (MEC), tabulados e repercutidos em reportagem do jornal Tribuna do Norte neste domingo (31), apontam que o estado acumula um montante assustador de mais de R$ 1,26 bilhão em dívidas ativas decorrentes do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).
Ao todo, o território potiguar registra cerca de 31,6 mil contratosm todos firmados até o ano de 2017, em severa situação de atraso. O tíquete médio do endividamento impressiona: cada beneficiário inadimplente deve, em média, cerca de R$ 40 mil às instituições financeiras operadoras do programa federal.
O raio-x da inadimplência no RN expõe um recorte demográfico bem definido: a imensa maioria dos devedores é composta por jovens em início de carreira, onde 72% têm até 30 anos de idade. Desse total, as mulheres são as principais afetadas, respondendo por 62% das carteiras de contratos negativadas.
Para analistas de mercado, o cenário é reflexo direto da crônica dificuldade de inserção de recém-formados no mercado de trabalho formal do estado e do achatamento dos salários médios praticados. Ouvidos pela reportagem, os economistas Janduir Nóbrega e William Pereira avaliaram que esse nó financeiro gera um efeito cascata nocivo na macroeconomia potiguar. Com o nome "sujo" e sem acesso ao crédito, dezenas de milhares de jovens deixam de consumir bens duráveis, o que desacelera o comércio e o setor de serviços locais.
A realidade do Fies no RN abriga diferentes desfechos. Há casos de sucesso por meio de renegociações, como o da nutricionista Jéssica Nascimento, que conseguiu quitar um débito que superava R$ 49 mil pelo valor final de R$ 15 mil. Por outro lado, a enfermeira Amanda Carolinne relata que o pagamento mensal das parcelas ainda compromete uma fatia asfixiante do seu orçamento familiar.
Há também quem carregue o fardo da dívida sem sequer ter conseguido colocar as mãos no diploma. É a realidade enfrentada por Moab Ferreira, que precisou interromper sua graduação ainda no ano de 2014 e, atualmente, trava uma batalha para tentar renegociar um saldo devedor de aproximadamente R$ 27 mil de um curso que não concluiu.
Como ferramenta para tentar mitigar a inadimplência e reinserir esses profissionais no mercado de consumo, o governo federal mantém ativo o programa Desenrola Fies. A iniciativa concede descontos agressivos e parcelamentos especiais para contratos antigos.
O prazo final para os estudantes potiguares buscarem a regularização de seus débitos vai até o dia 31 de dezembro deste ano. A adesão deve ser feita diretamente pelos canais digitais ou agências físicas do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal. Segundo dados do Banco do Brasil, mais de 25 mil contratos já foram repactuados em todo o país, movimentando R$ 1,4 bilhão.