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Relatório da PF revela mensagens de Vorcaro com Moraes sobre fuga e contrato de R$ 131 milhões com escritório da esposa

Em uma das conversas, Vorcaro orienta uma funcionária a garantir que os pagamentos ao escritório fossem realizados sem atrasos  |  Alexandre de Moraes, Viviane Barci e Daniel Vorcaro. Fotos: Isaac Nóbrega, PR / Antônio Augusto, Secom TSE / Reprodução

Publicado em 01/09/2026, às 14h25   Alexandre de Moraes, Viviane Barci e Daniel Vorcaro. Fotos: Isaac Nóbrega, PR / Antônio Augusto, Secom TSE / Reprodução   José Nilton Jr.

Um relatório da Polícia Federal (PF), que teve o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), revelou novas informações sobre a relação entre o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes. O documento reúne mensagens trocadas entre os dois e indica que Vorcaro considerava o contrato firmado com o escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa de Moraes, como o "mais importante" que mantinha.

Em uma das conversas, Vorcaro orienta uma funcionária a garantir que os pagamentos ao escritório fossem realizados sem atrasos, inclusive na ausência de nota fiscal. Em outro momento, porém, o banqueiro recomendou que as transações não fossem feitas por Pix. "Não é bom", escreveu.

O contrato mencionado nas mensagens alcançaria R$ 131 milhões. Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil, Alexandre de Moraes teria revisado o documento antes da assinatura.

Vorcaro questionou Moraes sobre possível prisão

O relatório também apresenta mensagens nas quais Daniel Vorcaro questiona diretamente Alexandre de Moraes sobre a possibilidade de deixar o Brasil. As conversas ocorreram dois dias antes da prisão do banqueiro pela Polícia Federal, quando ele tentava viajar para Dubai em um avião particular.

Em 15 de novembro do ano passado, Vorcaro perguntou ao ministro se precisaria deixar o país já na segunda-feira seguinte. Na mesma mensagem, o banqueiro também fez questionamentos relacionados a um juiz identificado como Ricardo e a Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central.

No dia seguinte, antes de ser preso, Vorcaro voltou a procurar Moraes e perguntou se poderia ser detido na manhã seguinte. Segundo a investigação, o conteúdo das mensagens levantou suspeitas sobre um possível compartilhamento de informações privilegiadas relacionadas à Operação Compliance Zero, incluindo dados sobre ações que seriam realizadas pela Polícia Federal.

Contrato milionário é citado na investigação

O relatório também aborda o acesso de Alexandre de Moraes ao contrato de R$ 131 milhões firmado entre o escritório de advocacia de sua esposa e Daniel Vorcaro.

O próprio escritório confirmou que o ministro teve acesso ao documento. Segundo a explicação apresentada, a consulta ocorreu porque o setor de compliance solicitou informações a Moraes, na condição de marido da sócia-diretora, para verificar a existência de possíveis impedimentos legais relacionados ao contrato.

As novas informações também apontam para uma suspeita ainda mais grave: um possível pedido de proteção atribuído a Moraes em favor de Vorcaro junto ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

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