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Rede de ligações entre caso Master, STF e governo Lula acende alerta em Brasília; entenda

A liquidação do Banco Master ocorre após meses de monitoramento do mercado. Especialistas já alertavam para o modelo de negócios adotado  |  Banco Master - Maria Isabel Oliveira/Agência O Globo

Publicado em 18/11/2025, às 15h12   Banco Master - Maria Isabel Oliveira/Agência O Globo   José Nilton Jr.

A liquidação extrajudicial do Banco Master, anunciada pelo Banco Central (BC) nesta terça-feira (18), ampliou o impacto político das investigações que já vinham cercando a instituição financeira e seus principais executivos. A decisão do BC, que foi assinada pelo presidente Gabriel Galípolo, determinou o encerramento imediato das operações do banco e colocou sua corretora de câmbio sob intervenção.

Com isso, a decisão acabou eliminando qualquer possibilidade de venda ao Grupo Fictor, que havia demonstrado interesse menos de 24 horas antes. A medida foi tomada no mesmo dia em que Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, se tornou o centro de uma operação da Polícia Federal, sendo detido em São Paulo.

Ele foi preso na última segunda-feira (17), por volta das 22h, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando se preparava para embarcar rumo a Dubai com o objetivo de fechar negócios. A ação faz parte da Operação Compliance Zero, que apura crimes como gestão fraudulenta, gestão temerária, organização criminosa e emissão de títulos de crédito fraudulentos dentro do Sistema Financeiro Nacional.

Conexões que ultrapassam o mercado financeiro

O avanço das investigações trouxe à tona um conjunto de relações que ampliou a repercussão política do caso. Documentos e contratos revelaram que o escritório de advocacia de Viviane de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes (STF), foi contratado por Victor Godoy Vorcaro, figura central nas operações investigadas.

Paralelamente, o sócio do escritório, Gapare Gama, ex-assessor e advogado com grande trânsito político, mantém proximidade com o líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner. Essas ligações, que antes pareciam episódios isolados, agora formam um tabuleiro político complexo, ampliando a pressão sobre Brasília.

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Parlamentares e analistas avaliam que as relações cruzadas entre Judiciário, Executivo e figuras influentes do Centrão podem acionar debates sobre conflito de interesses e influência indevida em plena crise financeira.

Além disso, a liquidação do Banco Master ocorre após meses de monitoramento do mercado. Especialistas já alertavam para o modelo de negócios adotado pela instituição, que emitia papéis lastreados pelo Fundo Garantidor de Crédito e oferecia retornos superiores aos praticados pelo mercado, uma prática considerada arriscada por reguladores.

Operação avança e crise ganha nova dimensão política

Com o fim das operações do Banco Master decretado pelo Banco Central, o futuro da instituição está definido. Porém, o impacto político e institucional do caso continua em expansão. As conexões pessoais e profissionais entre atores do sistema financeiro, figuras influentes do governo e integrantes do Supremo Tribunal Federal adicionam uma nova camada à crise.

À medida que a investigação se aprofunda, cresce a expectativa sobre desdobramentos que podem ultrapassar o campo econômico, alcançando áreas sensíveis do poder em Brasília. 

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