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Publicado em 18/02/2026, às 12h24 Pesquisadora brasileira Tatiana Coelho Sampaio, responsável pelo estudo - Sara Guerra José Nilton Jr.
A pesquisadora brasileira Tatiana Coelho de Sampaio, bióloga e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ganhou projeção internacional ao liderar estudos sobre a polilaminina, uma substância derivada da placenta humana que tem apresentado resultados promissores na recuperação de movimentos em pessoas com paraplegia.
A pesquisa, ainda em fase experimental, aponta novas possibilidades no tratamento de lesões da medula espinhal e já é considerada um dos avanços mais relevantes da medicina regenerativa desenvolvida no Brasil.
Nos últimos dias, um vídeo da pesquisadora explicando a atuação da polilaminina viralizou nas redes sociais e levou o tema ao conhecimento do grande público. No registro, Tatiana detalha a estrutura em forma de cruz da proteína laminina, elemento central da descoberta.
A laminina é uma proteína essencial do sistema nervoso, responsável por orientar o crescimento e a reconexão dos neurônios. Quando polimerizada, formando a chamada polilaminina, ela cria uma espécie de rede biológica capaz de auxiliar na reconstrução das vias lesionadas da medula espinhal.
Devido ao seu formato peculiar e ao impacto observado nos experimentos, Tatiana passou a se referir à polilaminina como a “proteína de Deus”, expressão que acabou chamando ainda mais atenção para o estudo.
A trajetória científica de Tatiana Coelho soma mais de 25 anos de dedicação à pesquisa em neurociência. Segundo ela, a descoberta da polilaminina ocorreu de forma inesperada, durante experimentos de rotina em laboratório.
Em depoimento, a pesquisadora relatou que percebeu algo fora do padrão ao observar o tamanho incomum da proteína. A única explicação possível era que ela estivesse se unindo a outras moléculas, formando uma estrutura muito maior do que o esperado.
Naquele momento, Tatiana afirmou não ter ideia da aplicação futura da descoberta, mas já intuía que se tratava de algo especial, capaz de provocar mudanças profundas na compreensão sobre regeneração neural.
A cientista explica que o axônio, parte mais longa do neurônio, funciona como um fio elétrico que transmite impulsos do cérebro para os músculos. Quando esse “fio” é rompido, a comunicação é interrompida, causando paralisia.
Na vida adulta, esses axônios não se regeneram espontaneamente. No entanto, durante o desenvolvimento embrionário, eles crescem para formar as conexões necessárias. A polilaminina atua justamente recriando um ambiente semelhante ao do desenvolvimento inicial do sistema nervoso.
Com isso, a proteína estimula a reconexão dos circuitos neurais, permitindo que sinais voltem a ser transmitidos pela medula espinhal lesionada.
Um dos exemplos mais impactantes do estudo envolve Bruno Drummond de Freitas, que ficou tetraplégico após um acidente grave e recebeu diagnóstico definitivo de que não voltaria a andar.
Por meio de um tratamento experimental desenvolvido pela equipe de Tatiana Coelho de Sampaio, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro, a polilaminina foi aplicada diretamente na medula espinhal do paciente.
O primeiro sinal de recuperação foi discreto, um movimento no dedo do pé. Com o passar do tempo, os avanços se intensificaram, permitindo que Bruno recuperasse gradualmente os movimentos e voltasse a andar.