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Publicado em 02/02/2026, às 15h54 Reprodução/Poder 360 José Nilton Jr.
Na última semana, a escola de samba Acadêmicos de Niterói, que irá homenagear a trajetória do presidente Lula (PT), realizou um ensaio técnico na Marquês de Sapucaí. Um dos destaques foi a presença de Bia Lula, neta do presidente, que sambou ao som do enredo em homenagem ao avô.
A participação de familiares reforçou o tom afetivo e pessoal do desfile, de acordo com integrantes da escola. Ainda assim, a diretoria manteve atenção redobrada para que nenhum gesto ou manifestação pudesse ser interpretado como ato político.
A escola de samba Acadêmicos de Niterói estreia neste ano no Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro e adotou regras rigorosas para o desfile que homenageia a trajetória do presidente Lula. A diretoria determinou que integrantes não façam o gesto da letra “L” com as mãos, nem mesmo durante ensaios, para evitar qualquer caracterização de manifestação político-partidária em ano eleitoral.
Essa orientação vale para todos os componentes da escola e tem como objetivo cumprir as normas que proíbem propaganda política explícita no Carnaval. A preocupação da agremiação é garantir que o desfile seja interpretado como um tributo histórico e cultural, e não como um ato de campanha.
O samba-enredo, intitulado “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, propõe uma leitura biográfica da vida do presidente. A narrativa percorre desde a infância humilde até a ascensão política, destacando momentos marcantes de sua história pessoal e social.
De acordo com a escola, a abordagem não tem caráter de propaganda, mas sim de registro histórico e simbólico de uma trajetória que marcou o país. A linha narrativa foi construída justamente para evitar slogans, palavras de ordem ou símbolos associados diretamente a partidos políticos.
Por estrear no Grupo Especial, a Acadêmicos de Niterói precisa seguir rigorosamente o regulamento da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, a Liesa. Entre as normas está a proibição de manifestações político-partidárias, especialmente em anos eleitorais.
Embora o tema do enredo envolva uma figura política em exercício, a escola aposta que o enfoque histórico e biográfico, aliado à vedação explícita de gestos e símbolos partidários, será suficiente para cumprir as regras.
A diretoria trabalha para manter um equilíbrio delicado, contar a história de um personagem central da política brasileira sem ultrapassar a linha que separa homenagem cultural de propaganda eleitoral.