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Publicado em 01/11/2026, às 09h30 Reprodução/Clube Candeias José Nilton Jr.
Quem visita a Praia de Pipa, em Tibau do Sul, no litoral sul do Rio Grande do Norte, encontra falésias coloridas, praias de águas mornas, piscinas naturais e uma paisagem que atrai turistas de diferentes partes do Brasil e do mundo. Mas, por trás do cenário que transformou o destino em uma referência do turismo potiguar e nacional, existe uma história que começa muito antes da fama internacional. Afinal, por que Pipa tem esse nome?
A explicação mais conhecida remonta ao período da colonização portuguesa, quando navegadores percorriam a costa brasileira em busca de pau-brasil e utilizavam pontos do litoral como referências para a navegação. Durante essas viagens, uma formação rochosa na região teria chamado a atenção dos viajantes por lembrar um barril de madeira.
Em Portugal, recipientes desse tipo, utilizados para armazenar produtos como vinho e azeite, eram conhecidos como pipas. A semelhança entre a pedra e o objeto teria dado origem ao nome que, com o passar do tempo, deixou de identificar apenas a formação rochosa e passou a designar toda a praia. A pedra associada à origem do nome ainda existe, abaixo do Chapadão, e integra a paisagem que ajuda a contar a história do lugar.
Embora a denominação Praia de Pipa tenha se popularizado, registros históricos e cartográficos antigos apontam que a região recebeu diferentes nomes ao longo do tempo. Entre as grafias atribuídas a esses documentos estão "Oratapipy", em 1515; "Oracampica", em 1550; "Itacoatisara", em 1574; "Ponta da Pipa", em 1625; "Itacoatiara", em 1626; e "Tapuya paraçoitaba", em 1643.
Essas variações ajudam a dimensionar como o território foi descrito por diferentes viajantes e cartógrafos ao longo dos séculos. Também revelam que a identificação geográfica da região passou por mudanças até que o nome Pipa se consolidasse como a denominação mais conhecida.
Hoje, o nome está associado a muito mais do que uma praia. Pipa tornou-se uma marca turística, presente em pousadas, restaurantes, bares, eventos e produtos locais. A força dessa identidade é tão grande que muitos visitantes acreditam estar chegando a uma cidade independente, quando, na verdade, a Praia de Pipa é um distrito turístico pertencente ao município de Tibau do Sul.
Se a origem do nome Pipa está associada a uma formação rochosa e à memória da navegação portuguesa, outras histórias da região sobrevivem pela tradição oral. Uma das mais conhecidas envolve a Praia do Amor e uma personagem indígena chamada Tabajara.
De acordo com a lenda, a mulher teria se apaixonado por um homem que saiu para pescar e nunca mais retornou. Diante da ausência do amado, ela teria chorado tanto que suas lágrimas abriram um buraco na rocha, formando o que hoje é conhecido como Pedra Furada. A narrativa atravessou gerações e passou a fazer parte do imaginário de moradores e visitantes.
Não há confirmação histórica de que o episódio tenha acontecido, mas a história continua despertando curiosidade. Segundo a crença popular, tocar a Pedra Furada ou passar por baixo dela pode trazer sorte no amor. Para muitos turistas, a formação rochosa se transforma, assim, em mais uma parada para fotos e em uma oportunidade de conhecer as narrativas que dão personalidade ao destino.
As histórias de Pipa mostram como a identidade de um lugar pode ser construída pela combinação entre geografia, ocupação humana e tradição. A formação rochosa que teria inspirado os navegadores portugueses permanece como referência para explicar o nome da praia, enquanto os registros cartográficos revelam diferentes formas de identificar o território ao longo dos séculos.
Ao mesmo tempo, as transformações ambientais da região e as lendas transmitidas entre gerações ajudam a ampliar o olhar sobre um destino frequentemente lembrado apenas por suas belezas naturais. Por trás das falésias e das águas do litoral sul potiguar, existe uma memória que também merece ser conhecida por quem chega para aproveitar as férias ou passar um fim de semana.