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Publicado em 02/02/2026, às 16h23 Reprodução/Blog CDB José Nilton Jr.
A região do Seridó, no Rio Grande do Norte, registra taxas de câncer colorretal acima da média nacional, de acordo com um estudo científico publicado no ano de 2019 em revistas internacionais. A pesquisa acompanhou 12 famílias, somando cerca de 150 pessoas, entre os meses de julho e novembro do ano em questão.
O levantamento foi conduzido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) em parceria com a Liga Contra o Câncer e as prefeituras de Caicó e Jardim do Seridó. Durante a pesquisa, foram coletadas amostras de sangue e da mucosa intestinal de indivíduos com histórico familiar da enfermidade.
Os dados apontaram uma concentração incomum de alterações genéticas associadas ao câncer colorretal, levando os cientistas a classificar o Seridó como um dos territórios com maior incidência hereditária da doença já documentada até então.
De acordo com especialistas, a explicação para esse cenário envolve fatores históricos, geográficos e genéticos. Entre os séculos 17 e 18, a região foi ocupada majoritariamente por famílias de origem europeia, sobretudo portugueses ligados à atividade pecuária.
Esses grupos se fixaram em áreas de difícil acesso, com baixa mobilidade populacional, o que favoreceu a permanência das mesmas famílias por gerações consecutivas. Esse isolamento contribuiu para a consanguinidade e para o aumento da frequência de mutações genéticas associadas à doença.
Ainda de acordo com o estudo, a mutação no gene MUTYH, diretamente relacionada ao câncer colorretal, apresentou no Seridó a maior frequência já registrada no mundo até o ano de 2019, superando índices observados em outros países.
As alterações genéticas identificadas estão ligadas à Polipose Adenomatosa, condição caracterizada pelo surgimento de mais de 100 pólipos no intestino grosso. Em pessoas afetadas, o risco de desenvolver câncer ao longo da vida pode chegar a 80%, exigindo acompanhamento médico rigoroso.
Em situações mais graves, os especialistas indicaram a realização de colectomia total, procedimento cirúrgico que consiste na retirada completa do intestino grosso como forma de prevenção. Entre as famílias monitoradas pelo estudo, seis pessoas precisaram passar por esse tipo de cirurgia.
Até o momento, nenhuma delas desenvolveu câncer, resultado atribuído ao diagnóstico precoce e ao acompanhamento contínuo oferecido pelas equipes de saúde.