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Novo ministro da economia enfrenta desafio nas contas públicas e risco de déficit

Novo ministro da economia enfrenta desafio nas contas públicas e risco de déficit  |  Foto: Washington Costa / MF

Publicado em 05/04/2026, às 17h01   Foto: Washington Costa / MF   Redação

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Há pouco mais de dez dias no comando do Ministério da Fazenda, Dario Durigan já enfrenta um cenário desafiador. O novo ministro assume a área econômica em meio à pressão sobre as contas públicas e à necessidade de dar respostas rápidas em um ano marcado por demandas políticas e sociais mais intensas.

Especialistas avaliam que Durigan herda uma combinação de problemas estruturais da gestão anterior, comandada por Fernando Haddad, com urgências típicas de períodos eleitorais. Logo nos primeiros dias, o ministro anunciou um bloqueio de R$ 1,6 bilhão no Orçamento de 2026, valor considerado tímido por analistas diante da necessidade de cumprir as regras do arcabouço fiscal.

A medida busca conter o avanço das despesas obrigatórias dentro do limite de crescimento real dos gastos, fixado em até 2,5% acima da inflação. Apesar disso, o próprio governo projeta um cenário delicado: oficialmente, a previsão é de um superávit primário de R$ 3,5 bilhões, mas, ao considerar despesas fora do arcabouço, como precatórios, a estimativa passa para um déficit de R$ 59,8 bilhões.

Entre cortes e novos gastos

Ao mesmo tempo em que tenta conter despesas, Durigan também articula medidas de impacto imediato. Entre elas, está a criação de um subsídio para o diesel importado, estimado em cerca de R$ 1,20 por litro, com custo total de R$ 3 bilhões, dividido entre União e estados. A proposta busca amenizar os efeitos da alta do petróleo no mercado internacional.

Outra frente é o enfrentamento da inadimplência, que já compromete mais de 27% da renda das famílias brasileiras, segundo o Banco Central. O governo estuda um pacote voltado à renegociação de dívidas, embora exista o risco de aumento de gastos caso sejam adotados subsídios ao crédito.

Também estão no radar mudanças com impacto político, como uma possível redução da chamada “taxa das blusinhas”, imposto sobre compras internacionais de até US$ 50. Em 2025, a arrecadação com esse tributo chegou a R$ 5 bilhões e ajudou a reforçar o caixa do governo.

Credibilidade em jogo

Para economistas, o principal desafio do novo ministro será recuperar a confiança nas contas públicas. A professora da Fundação Getulio Vargas (FGV), Virene Matesco, aponta que o governo enfrenta dificuldades para cumprir as próprias metas fiscais.

O cenário é agravado pelo crescimento da dívida pública, que já chega a 78,7% do Produto Interno Bruto (PIB), além da rigidez orçamentária, que limita investimentos e reduz a capacidade de reação do governo.

Na avaliação do economista André Nassif, da Universidade Federal Fluminense (UFF), parte das dificuldades também está ligada a metas consideradas ambiciosas no início da gestão anterior. Para ele, o país vive um ciclo de crescimento irregular e ainda distante de uma trajetória mais estável.

Com pouco espaço fiscal e pressão por medidas imediatas, Durigan terá como principal desafio encontrar um equilíbrio entre controle de gastos e estímulo à economia. Uma equação que segue aberta e que, agora, passa a ser testada sob nova liderança.

Classificação Indicativa: Livre


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