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Missão da NASA para salvar telescópio em queda enfrenta falhas e corre contra o tempo

A missão da NASA para salvar o observatório Swift enfrenta dificuldades com o satélite LINK, que apresentou falhas críticas durante a operação  |  Reprodução | Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA

Publicado em 11/08/2026, às 20h30 - Atualizado às 21h50   Reprodução | Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA   Jussier Lucas

A missão da NASA para tentar salvar o observatório Neil Gehrels Swift de uma possível queda na Terra enfrenta dificuldades que podem comprometer o cronograma da operação. O satélite LINK, desenvolvido em apenas nove meses para alcançar o observatório e elevar sua órbita, apresentou falhas durante a fase de preparação para o encontro.

Lançado em 3 de julho a bordo de um foguete Pegasus XL, da Northrop Grumman, o LINK inicialmente apresentou evolução dentro do esperado. A espaçonave estabeleceu comunicação com a equipe em solo, abriu os painéis solares e iniciou os testes dos sistemas de propulsão e navegação.

O cenário mudou no fim de julho, quando o satélite começou a girar em múltiplos eixos e perdeu temporariamente a comunicação com a equipe. A investigação apontou problemas em duas das três rodas de reação da espaçonave, além de perda parcial de funcionalidade no sistema de propulsores de gás frio.

Satélite reduz rotação, mas encontro foi adiado

A equipe da Katalyst Space Technologies conseguiu reduzir progressivamente a velocidade de rotação do LINK. O movimento, que chegou a cerca de 9 graus por segundo, foi reduzido inicialmente para 4 graus e depois para 1,47 grau por segundo.

Segundo a empresa, um dos propulsores elétricos foi utilizado para desacelerar a espaçonave, com consumo inferior a 100 gramas de propelente. A estratégia busca preservar combustível para a etapa de encontro com o Swift e para as manobras posteriores.

A equipe pretende enviar uma atualização do software de voo para recuperar o controle da orientação do LINK no espaço. A medida é considerada necessária para que a espaçonave consiga realizar as manobras destinadas a alinhar sua órbita com a do observatório.

O problema, porém, alterou o cronograma da missão. O levantamento do Swift, que estava previsto para ocorrer no fim de julho, agora deve ser realizado cerca de um mês depois do planejado. Com o atraso, ainda não está claro se o LINK conseguirá alcançar o observatório dentro da janela necessária para evitar sua reentrada.

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Swift enfrenta risco de reentrada na atmosfera

O Neil Gehrels Swift está em órbita baixa da Terra há quase 22 anos e foi lançado em 2004. O observatório se tornou uma ferramenta importante para o estudo de fenômenos cósmicos, com capacidade de identificar e acompanhar eventos de alta energia no Universo.

A permanência do Swift em órbita, no entanto, tem sido afetada pelo arrasto atmosférico. O fenômeno se intensifica com o aumento da atividade solar e reduz gradualmente a altitude da espaçonave.

De acordo com as previsões da NASA citadas na reportagem, o observatório pode reentrar na atmosfera terrestre nos próximos meses caso sua órbita não seja elevada. A agência estima que a altitude abaixo de aproximadamente 300 quilômetros aumente o risco de perda da espaçonave.

Para evitar esse cenário, o LINK terá a missão de se aproximar do Swift e realizar uma operação de acoplamento. Depois de estabilizar o observatório, a espaçonave deverá utilizar seus três propulsores iônicos para elevar a órbita do telescópio ao longo de um período estimado entre dois e três meses.

NASA aposta em operação de alto risco

A operação foi escolhida pela NASA como uma alternativa para prolongar a vida útil do Swift, considerado um observatório com capacidades específicas que ainda não possuem substituto imediato.

O telescópio já contribuiu para estudos de diferentes fenômenos astronômicos, incluindo buracos negros, cometas e eventos associados a ondas gravitacionais. Atualmente, o Swift não realiza observações científicas para evitar o consumo de energia enquanto a tentativa de resgate é preparada.

A missão LINK foi desenvolvida em prazo considerado excepcionalmente curto. Segundo integrantes da equipe, a operação envolve riscos elevados justamente pela complexidade de aproximar uma espaçonave de outra em órbita e realizar uma manobra de acoplamento antes que o observatório perca altitude demais.

Apesar das falhas apresentadas pelo LINK, a NASA e a Katalyst continuam trabalhando em alternativas para recuperar a missão original. O sucesso da operação poderá permitir que o Swift retome suas atividades científicas e permaneça em órbita por mais tempo.

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TagsNasaAcoplamento no espaçoBuracos negros