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Jovens rejeitam modelo tradicional de emprego e colocam bem-estar acima da carreira

De acordo com o estudo “Gen Z: os novos autores da cultura”, da MindMiners, 34% dos jovens enxergam o trabalho apenas como meio de crescimento pessoal  |  Reprodução/Freepik

Publicado em 30/04/2026, às 14h34   Reprodução/Freepik   José Nilton Jr.

Nesta sexta-feira, (1º), o Dia do Trabalhador celebra também os 83 anos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Apesar da importância histórica da Consolidação das Leis do Trabalho, a forma como os brasileiros se relacionam com o trabalho vem passando por mudanças profundas, especialmente entre os mais jovens.

Enquanto gerações mais antigas reconhecem o papel da legislação na garantia de direitos, parte da juventude atual demonstra menor apego ao modelo tradicional de emprego. Esse movimento tem sido observado em pesquisas recentes e no comportamento do mercado.

Jovens priorizam propósito e bem-estar

De acordo com o estudo “Gen Z: os novos autores da cultura”, da MindMiners, 34% dos jovens enxergam o trabalho apenas como meio de crescimento pessoal.

O levantamento aponta que bem-estar e propósito têm mais peso que estabilidade profissional. Além disso, 59% consideram o cenário atual do mercado de trabalho complicado.

Insatisfação crescente

Essa percepção ajuda a explicar a saída precoce de jovens do mercado formal.

Dados do Ministério do Trabalho mostram que pessoas entre 18 e 24 anos deixam empregos por diversos motivos.

Entre eles estão a busca por novas oportunidades, a falta de valorização e questões éticas.

Influência das redes sociais

Para o neuropsicólogo Helington Costa, fatores geracionais ajudam a entender esse comportamento.

Segundo ele, muitos jovens cresceram com direitos trabalhistas já consolidados.

Isso reduz a percepção de valor sobre garantias como férias, décimo terceiro e FGTS.

Comparações e frustração

O especialista também destaca o impacto das redes sociais. Plataformas digitais reforçam conteúdos ligados a sucesso rápido e liberdade financeira.

Esse cenário pode gerar frustração e sensação de inadequação diante da realidade.

Riscos da informalidade

Com a rejeição ao modelo tradicional, cresce a adesão a formatos como freelancing e pejotização.

O advogado Túlio Chaves alerta para os riscos dessa escolha. Segundo ele, a promessa de ganhos maiores pode esconder a transferência de riscos ao trabalhador.

Perda de direitos

Sem vínculo formal, há maior exposição à instabilidade de renda. Também são afetados direitos como aposentadoria, auxílio-doença e proteção em demissões.

Outro ponto crítico é a ausência de limites claros de jornada. Apesar das transformações no mercado, especialistas defendem a relevância da legislação.

A CLT continua sendo um instrumento central de proteção social no país. Ela garante direitos básicos e reduz vulnerabilidades em um cenário cada vez mais dinâmico.

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