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Extinção bate à porta: Quatro tartarugas marinhas entram na lista vermelha no RN

O Rio Grande do Norte publica sua primeira lista oficial de espécies ameaçadas, destacando 172 animais, incluindo tartarugas marinhas  |  Reprodução/Freepik

Publicado em 30/01/2026, às 12h52   Reprodução/Freepik   Giovana Gurgel

O Rio Grande do Norte passou a contar, em janeiro de 2025, com a primeira lista oficial de espécies da fauna ameaçadas de extinção no estado, publicada no Diário Oficial do Estado.

O levantamento reúne 172 animais e inclui quatro espécies de tartarugas marinhas presentes no litoral potiguar, distribuídas nas categorias vulnerável, em perigo e criticamente em perigo.

A classificação considera diferentes níveis de risco de desaparecimento na natureza, levando em conta critérios científicos e ambientais. As categorias indicam desde ameaça a médio prazo até risco imediato de extinção.

Entre as espécies listadas estão a tartaruga-cabeçuda e a tartaruga-oliva, além da tartaruga-de-pente e da tartaruga-de-couro, todas com registros frequentes no litoral do estado.

Alerta crescente no litoral potiguar

De acordo com a lista oficial, são consideradas vulneráveis as espécies que apresentam alto risco de extinção a médio prazo. Nesse grupo estão a tartaruga-cabeçuda e a tartaruga-oliva, que sofrem impactos diretos da degradação ambiental, da pesca predatória e da ocupação desordenada da costa.

A categoria em perigo indica risco muito alto de extinção em um futuro próximo. Nessa situação está a tartaruga-de-pente, apontada como a espécie mais comum no litoral do Rio Grande do Norte, o que torna o alerta ainda mais preocupante diante da possibilidade real de desaparecimento.

No nível mais grave, o de criticamente em perigo, estão as espécies com risco extremamente alto de extinção imediata na natureza. É o caso da tartaruga-de-couro, também registrada em praias potiguares.

Conservação e mobilização ambiental

Para a Associação de Proteção e Conservação Ambiental Cabo de São Roque, organização que atua há 10 anos no monitoramento de tartarugas-marinhas no estado, a divulgação da lista reforça a urgência de ações permanentes de conservação.

Segundo Lucas Silva, presidente da APC Cabo de São Roque, o cenário exige investimentos contínuos em educação ambiental, sensibilização da população e fortalecimento das políticas públicas voltadas à proteção da fauna marinha.

Ele destaca que o reconhecimento oficial das espécies ameaçadas amplia a responsabilidade do poder público e da sociedade na preservação desses animais.

Monitoramento e resultados do projeto

O acompanhamento sistemático dos ninhos é realizado desde 2016 por meio do projeto Tartarugas ao Mar, desenvolvido pela APC Cabo de São Roque.

A iniciativa conta com uma equipe multidisciplinar formada por veterinários, biólogos, estudantes e pesquisadores que atuam diariamente nas praias. Entre as atividades estão a coleta de amostras biológicas, ações de educação ambiental, registro e atendimento de encalhes, marcação de animais juvenis e adultos, além da proteção dos ninhos.

Atualmente, o monitoramento abrange 15 praias distribuídas em quatro municípios dos litorais Sul e Norte do Rio Grande do Norte, Parnamirim, Nísia Floresta, Ceará-Mirim e Maxaranguape. Desde o início do projeto, mais de dois mil ninhos foram protegidos, resultando na liberação de mais de 140 mil filhotes ao mar.

Classificação Indicativa: Livre


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