Cidades
Na manhã de quinta-feira (22), a praia de Búzios, em Nísia Floresta, testemunhou a desova rara de duas tartarugas-de-pente durante o dia, um comportamento incomum que surpreendeu os voluntários da APC que monitoravam a área.
Normalmente, as tartarugas desovam à noite para evitar predadores e garantir melhores condições para os ovos, mas a ocorrência diurna foi atribuída a fatores como maré alta e clima favorável.
A APC, que há 10 anos desenvolve o projeto Tartarugas ao Mar, continua seu trabalho de monitoramento em 15 praias do RN, já sinalizando mais de 90 ninhos nesta temporada, destacando a importância da preservação das áreas de desova para a sobrevivência da espécie.
Uma cena pouco comum no litoral potiguar marcou a manhã desta quinta-feira (22) na praia de Búzios, em Nísia Floresta.
Por volta das 6h, uma equipe da Associação de Proteção e Conservação Ambiental Cabo de São Roque (APC) flagrou a desova de duas tartarugas-de-pente em plena luz do dia — um comportamento considerado raro para a espécie.
A desova de tartarugas marinhas ocorre, em regra, durante a noite. O registro ao amanhecer surpreendeu até mesmo os voluntários que monitoravam a faixa de areia.
“A desova durante o dia é rara e, quando acontece, geralmente está associada a condições específicas, como maré alta em horário favorável e tempo nublado ou chuvoso. As tartarugas marinhas preferem desovar à noite porque encontram temperatura mais amena e estável, o que favorece o desenvolvimento dos ovos e aumenta as chances de nascimento dos filhotes. Além disso, no período noturno há menor risco de perturbações por predadores, veículos ou presença humana na praia”, explicou a educadora ambiental da APC Cabo de São Roque, Sara Dore.
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O momento observado pela equipe
O voluntário Gabriel Rafael acompanhava o monitoramento quando percebeu a movimentação na areia.
Foi uma experiência muito especial. Nós ficamos lá observando todo o processo: ela abrindo o ninho, fazendo a desova, tapando o ninho e voltando para o mar. E quando esse processo estava terminando a gente viu que uma outra mamãe estava desovando logo à frente. Foi uma experiência absurda pra gente, não tem nem como explicar só com palavras”, contou Gabriel, voluntário da APC.
A coincidência de duas fêmeas desovando praticamente ao mesmo tempo reforçou o caráter excepcional do registro.
Projeto Tartarugas ao Mar completa uma década
Há 10 anos, a APC desenvolve o projeto Tartarugas ao Mar, voltado à sensibilização da população e à conservação das tartarugas marinhas no litoral potiguar.
Desde o início do projeto, os números chamam atenção:
- Mais de 2 mil ninhos protegidos
- Mais de 140 mil filhotes devolvidos ao mar
Temporada de desova já está em andamento no RN
A temporada 2025/2026 de desova começou em dezembro. A APC realiza monitoramento contínuo em 15 praias distribuídas em quatro municípios dos litorais sul e norte do estado:
→ Parnamirim
→ Nísia Floresta
→ Ceará-Mirim
→ Maxaranguape
Como funciona o trabalho diário de monitoramento
A atuação envolve uma equipe multidisciplinar formada por:
- Veterinários
- Biólogos
- Estudantes
- Pesquisadores
- Voluntários
Entre as atividades realizadas estão:
- Coleta de amostras biológicas
- Educação ambiental nas praias
- Registro e atendimento de encalhes
- Marcação de animais juvenis e adultos
- Identificação e proteção de ninhos
Números atualizados da temporada
Até esta quinta-feira (22), os dados do monitoramento indicam:
• Mais de 40 ninhos sinalizados no litoral sul
• Mais de 50 ninhos sinalizados no litoral norte
O flagrante da tartaruga marinha em Búzios, além de raro, reforça a importância do monitoramento contínuo e da preservação das áreas de desova, fundamentais para garantir a sobrevivência de uma das espécies mais ameaçadas do litoral brasileiro.
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