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Publicado em 26/12/2025, às 18h37 Freepik Jussier Lucas
Com a chegada do verão e o aumento da exposição ao sol, o mês de dezembro assume papel estratégico no calendário da saúde pública. É nesse período que a campanha Dezembro Laranja ganha força em todo o país, alertando para a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de pele — o tipo de câncer mais frequente no Brasil e um problema de impacto crescente também no Rio Grande do Norte.
Criada pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), a campanha chama atenção para os riscos da exposição excessiva à radiação ultravioleta, prática comum sobretudo nos meses mais quentes do ano.
Embora apresente altas taxas de cura quando identificado precocemente, o câncer de pele ainda é responsável por milhares de procedimentos cirúrgicos e tratamentos prolongados todos os anos.
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Estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) indicam que, entre 2023 e 2025, o Brasil registrou cerca de 220 mil novos casos anuais de câncer de pele não melanoma, que corresponde à maioria dos diagnósticos. Já o melanoma, embora menos frequente, concentra os maiores índices de mortalidade devido ao seu caráter mais agressivo.
No Rio Grande do Norte, onde a incidência de radiação solar é elevada durante praticamente todo o ano, os números reforçam a importância da campanha. Dados do INCA apontam que o estado encerrou 2023 com uma estimativa de aproximadamente 3.460 novos casos de câncer de pele, em sua maioria do tipo não melanoma.
Para o mesmo período, as projeções indicam cerca de 110 novos casos anuais de melanoma no RN — número menor, mas que exige atenção especial pela gravidade da doença.
Embora os dados mais recentes sejam divulgados por triênios e não detalhem números fechados para 2024 e 2025, o instituto aponta uma tendência de manutenção e crescimento dos diagnósticos, acompanhando o cenário nacional.
O dermatologista Marcone Oliveira explica que o perfil climático do estado contribui diretamente para esse cenário.
“A exposição solar acumulada ao longo da vida é o principal fator de risco para o desenvolvimento do câncer de pele, especialmente em regiões como o Rio Grande do Norte. O uso de protetor solar deve ser diário e contínuo, independentemente de a pessoa estar na praia, no trabalho ou em atividades de lazer”, afirma.
Além do protetor solar, o especialista reforça a importância do uso de chapéus, roupas adequadas e óculos escuros, bem como da redução da exposição direta ao sol nos horários de maior intensidade, entre 10h e 16h.
Manchas que mudam de tamanho ou cor, feridas que não cicatrizam, pintas assimétricas ou lesões com bordas irregulares devem ser avaliadas por um dermatologista o quanto antes. O diagnóstico precoce é decisivo para o sucesso do tratamento e para evitar complicações mais graves.
Entre 2023 e 2025, ações de conscientização e mutirões de atendimento realizados por entidades médicas e pelo poder público no Rio Grande do Norte contribuíram para ampliar o acesso ao diagnóstico, especialmente em áreas do interior.
Ainda assim, especialistas alertam para a subnotificação e para a dificuldade de acompanhamento de pacientes, principalmente entre trabalhadores rurais, pescadores e pessoas que exercem atividades ao ar livre — grupos mais vulneráveis à exposição solar prolongada.
A campanha Dezembro Laranja também busca desconstruir a ideia de que o câncer de pele é uma doença simples ou de baixo risco. Embora muitos casos sejam tratados com sucesso, o diagnóstico tardio pode resultar em cirurgias mais extensas, impactos estéticos e funcionais e, no caso do melanoma, risco elevado de morte.
No Rio Grande do Norte, onde o sol faz parte da identidade cultural e do cotidiano da população, o alerta ganha ainda mais relevância.
A prevenção do câncer de pele não deve se limitar ao mês de dezembro, mas ser incorporada como uma prática permanente de cuidado com a saúde — capaz de reduzir adoecimentos evitáveis e salvar vidas ao longo do tempo.