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Administração penitenciária diz que suposta negociação entre secretária e preso é uma "conversa normal"

De acordo com informações da própria Seap, a gravação foi realizada por uma câmera corporal utilizada por um policial penal que acompanhava a conversa  |  Reprodução/Via Certa Natal

Publicado em 09/09/2026, às 12h48 - Atualizado às 15h11   Reprodução/Via Certa Natal   José Nilton Jr.

Vídeos que circulam nas redes sociais mostram uma conversa entre a secretária adjunta da Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (Seap), Armeli Brennand, e um detento que afirma integrar uma facção criminosa, dentro da Penitenciária Rogério Coutinho Madruga, no Rio Grande do Norte. O encontro ocorreu na presença do secretário da Seap, Helton Edir.

Procurada pelo BNews RN, a Seap afirmou que a gravação foi realizada por uma câmera corporal utilizada por um policial penal que acompanhava a interação. A secretaria também confirmou que Armeli Brennand esteve na unidade prisional no dia 26 de agosto, acompanhada também por representantes da Ouvidoria e da Corregedoria.

De acordo com a pasta, conversas entre integrantes da administração penitenciária e internos fazem parte da rotina do sistema prisional. A Seap afirmou, porém, que não houve qualquer negociação durante o encontro. Os vídeos foram divulgados, primeiramente, pelo portal Via Certa Natal. 

Detento cobra promessas e reclama de condições no presídio

Durante a conversa, o detento afirma que a secretária havia feito "várias promessas" e que os internos aguardavam resultados. Em determinado momento, ele declara fazer parte do Comando Vermelho e diferencia a atuação do grupo da forma como, segundo ele, funciona a atuação de outra facção. 

O interno também menciona problemas relacionados à segurança dentro das unidades prisionais e afirma que determinadas áreas seriam inseguras. Na sequência, direciona a conversa para a questão das visitas íntimas e familiares.

Segundo o detento, a retomada da visita íntima teria importância central para os internos. Ele afirma que a medida seria considerada parte da estrutura familiar e reclama que o benefício teria sido retirado havia cerca de uma década.

Interno condiciona disciplina à retomada das visitas

Durante o diálogo, o detento afirma que a disponibilização de visitas íntimas a cada 15 dias poderia contribuir para manter a disciplina entre os internos. Ele também declara que não gostaria de criar problemas com a polícia ou colocar em risco a possibilidade de receber visitas.

"Se conseguirem oferecer a visita a cada 15 dias, haverá disciplina", afirma o detento no vídeo. O interno também relata estar sem receber visitas de familiares e do filho. Segundo ele, a secretária seria a pessoa capaz de ajudar a encontrar uma solução para a situação apresentada.

A Seap no entanto, reiterou que ouvir as demandas dos detentos integra as atribuições da administração penitenciária, justamente porque o público atendido pelo sistema prisional é formado por pessoas privadas de liberdade. A pasta também afirmou que não ocorreu qualquer tipo de negociação durante a conversa.

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