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Casos de sarampo disparam nas Américas e OMS acende sinal de alerta para países da região

Dados da Opas mostram aumento expressivo de casos de sarampo, com 14.891 registros em 2025 e 1.031 apenas em janeiro de 2026  |  Fernando Frazão/Agência Brasil

Publicado em 04/02/2026, às 19h31   Fernando Frazão/Agência Brasil   Jussier Lucas

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O número de casos de sarampo nas Américas registrou um crescimento expressivo e acendeu um alerta sanitário internacional. Dados da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), braço regional da Organização Mundial da Saúde (OMS), mostram que os registros da doença saltaram de 446, em 2024, para 14.891 em 2025 — um aumento de mais de 30 vezes em apenas um ano. No mesmo período, foram confirmadas 29 mortes em decorrência da infecção.

O avanço continua em 2026. Apenas no mês de janeiro, dados preliminares da Opas apontam 1.031 casos no continente, número quase 45 vezes superior ao registrado no mesmo mês do ano passado, quando foram notificados 23 casos. Até o momento, não há confirmação de óbitos neste ano.

A maior concentração de casos segue na América do Norte. Em 2025, México, Canadá e Estados Unidos responderam por cerca de 95% das notificações, com mais de 14 mil registros somados. Em 2026, os três países mantêm o protagonismo, concentrando 92% dos casos confirmados no continente.

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Vacinação em foco e risco de reintrodução

Segundo a Opas, a maioria dos casos registrados envolve pessoas sem histórico de vacinação contra o sarampo ou com situação vacinal desconhecida. Nos Estados Unidos, 93% dos infectados não estavam vacinados; no México, o percentual foi de 91,2%; e, no Canadá, de 89%. Diante do cenário, a organização alerta que o crescimento dos casos “requer uma ação imediata e coordenada” por parte dos países-membros.

Em novembro de 2025, a Opas retirou do continente o certificado de região livre da transmissão do sarampo, diante do avanço da doença em diversos países. O alerta reforça a necessidade de intensificar ações de vigilância epidemiológica e ampliar as coberturas vacinais para evitar novos surtos.

Apesar do cenário preocupante nas Américas, o Brasil mantém o status de país livre do sarampo. Em 2025, foram registrados 38 casos no território nacional, a maioria sem histórico de vacinação, sendo parte deles importados ou relacionados à importação. Em 2026, até o momento, não há registros confirmados da doença no país.

Especialistas alertam, no entanto, para o risco constante de reintrodução do vírus. O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Renato Kfouri, destaca que o intenso fluxo de pessoas entre o Brasil e países da América do Norte aumenta a possibilidade de casos importados.

Para ele, o principal desafio é manter vigilância ativa e altas coberturas vacinais, evitando a transmissão sustentada do vírus.

O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa e pode causar complicações graves, como pneumonia, encefalite, cegueira e até a morte. A principal forma de prevenção é a vacinação, disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A imunização faz parte do calendário básico infantil e também é recomendada para adultos que não tenham completado o esquema vacinal.

Dados do Ministério da Saúde indicam avanço significativo da cobertura da vacina tríplice viral no Brasil em 2025, embora a taxa ainda esteja abaixo dos 95% recomendados para impedir surtos.

A Opas e o governo federal reforçam a importância da vacinação, da vigilância epidemiológica e da resposta rápida a casos suspeitos como estratégias centrais para conter o avanço da doença no continente.

Classificação Indicativa: Livre


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