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Câncer em órgãos respiratórios deve afetar mais de 7.000 pessoas no Nordeste em 2026; veja a situação do RN

Campanha nacional "Agosto Branco" começa neste sábado (1º), chamando a atenção para a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de pulmão  |  

Publicado em 01/08/2026, às 06h00      Anderson Barbosa

A campanha nacional "Agosto Branco" começa neste sábado (1º). O objetivo é chamar a atenção para a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de pulmão, uma das doenças que mais mata no mundo. No Brasil, pelo menos 35.380 novos casos de câncer em órgãos que formam a parte principal do sistema respiratório (pulmões, traqueia e brônquios) devem ser registrados até o final do ano.

A estimativa é do Instituto Nacional de Câncer (INCA), que divulgou um levantamento que projeta a incidência de cânceres em todo o país para o triênio 2026-2028. No Nordeste, ainda de acordo com o estudo, a perspectiva é de 7.070 novos casos até dezembro. Na região, o Rio Grande do Norte aparece em sexto, com previsão de 520 diagnósticos registrados (140 somente em Natal). 

Câncer de Traqueia, Brônquio e Pulmão no Nordeste em 2026

Cigarro é o principal responsável pela maior parte dos casos de câncer de pulmão

No mundo, o câncer de pulmão é considerado o tipo de tumor que mais mata, principalmente por causa do cigarro. Cerca de 85% dos casos estão associados ao tabagismo. 

Embora o cigarro continue sendo responsável pela maior parte dos casos, o INCA destaca que o câncer de pulmão também pode estar relacionado à exposição passiva à fumaça do tabaco, à poluição do ar, ao contato ocupacional com substâncias como amianto, arsênio e sílica, além de fatores genéticos e do envelhecimento da população.

A doença costuma apresentar poucos sintomas em seus estágios iniciais, o que dificulta o diagnóstico precoce. Tosse persistente, falta de ar, dor no peito, rouquidão e perda de peso sem causa aparente estão entre os principais sinais de alerta. Quando identificado precocemente, o câncer de pulmão apresenta maiores chances de sucesso no tratamento.

"A cura está intimamente relacionada ao diagnóstico precoce"

Para falar sobre as principais causas do câncer de pulmão, dos sintomas, tratamento, e também esclarecer as principais dúvidas a respeito, o BNews RN entrevistou o médico oncologista Pedro Victor Nogueira, clínico da Liga Contra o Câncer.

O especialista destaca que a doença costuma ser silenciosa no início, mas sintomas como tosse persistente, falta de ar, dor no peito, rouquidão e perda de peso devem ser investigados, especialmente por fumantes e ex-fumantes. Ele ainda alerta para o diagnóstico precoce, que aumenta significativamente as chances de cura.

Detalhe: cigarros eletrônicos também representam riscos à saúde por conterem nicotina e outras substâncias tóxicas. 

BNews RN - Quais as principais causas do câncer de pulmão?

Dr. Pedro Victor Nogueira - A principal causa é, de longe, o tabagismo. Estima-se que cerca de 85% dos casos estejam relacionados ao cigarro, incluindo cigarros industrializados, palha, charuto e outros produtos derivados do tabaco. Além disso, existem outros fatores importantes, como tabagismo passivo, poluição do ar, exposição ocupacional a substâncias como amianto (asbesto), sílica, arsênio, cromo e níquel, e também fatores genéticos. Ou seja, o câncer de pulmão é uma doença multifatorial, mas o cigarro continua sendo o maior fator de risco evitável.

Dr. Pedro Victor Nogueira, médico oncologista e clínico da Liga Contra o Câncer

BNews RN - Quais são os primeiros sintomas?

Dr. Pedro Victor Nogueira - O problema é que o câncer de pulmão pode não causar sintomas no início. Quando aparecem, os mais comuns são tosse persistente, mudança no padrão da tosse, falta de ar, dor no peito, rouquidão, perda de peso sem explicação, cansaço excessivo e, em alguns casos, tosse com sangue. Um ponto importante é que qualquer fumante ou ex-fumante que apresente esses sintomas por mais de algumas semanas deve procurar avaliação médica, porque o diagnóstico precoce aumenta muito as chances de cura.

BNews RN - O câncer de pulmão tem cura?

Dr. Pedro Victor Nogueira - Sim, o câncer de pulmão pode ter cura, principalmente quando é diagnosticado em estágios iniciais, antes de se espalhar para outros órgãos. Nesses casos, a cirurgia, muitas vezes associada a radioterapia, quimioterapia ou imunoterapia, pode oferecer chance real de cura. A cura está intimamente relacionada ao diagnóstico precoce.

BNews RN - Quais são os principais tipos e tratamentos?

Dr. Pedro Victor Nogueira - Os dois grandes grupos são: o câncer de pulmão de não pequenas células (CPNPC), que representa cerca de 85% dos casos e inclui adenocarcinoma, carcinoma escamoso e grandes células, e o câncer de pulmão de pequenas células (CPPC), geralmente mais agressivo e muito associado ao tabagismo. O tratamento depende do tipo e do estágio da doença. Podemos utilizar cirurgia, radioterapia, quimioterapia, imunoterapia e terapias-alvo molecular, muitas vezes em combinação.

BNews RN - Apenas quem fuma tem câncer de pulmão?

Dr. Pedro Victor Nogueira - Não. Embora fumar seja o principal fator de risco, entre 10% e 15% dos casos ocorrem em pessoas que nunca fumaram. Nesses pacientes, fatores como predisposição genética, exposição ao tabagismo passivo, poluição, radônio e outras exposições ambientais podem estar envolvidos.

BNews RN - O tabagismo passivo afeta?

Dr. Pedro Victor Nogueira - Afeta, e de forma comprovada. Quem convive com fumantes em casa, no trabalho ou em ambientes fechados inala muitas das mesmas substâncias cancerígenas presentes na fumaça do cigarro. O tabagismo passivo aumenta o risco de câncer de pulmão e também de doenças cardiovasculares e respiratórias. Não existe nível seguro de exposição à fumaça do tabaco. A melhor proteção é manter ambientes totalmente livres de fumaça.

BNews RN - Cigarro eletrônico causa câncer de pulmão?

Dr. Pedro Victor Nogueira - Os cigarros eletrônicos contêm nicotina, solventes, metais pesados e outras substâncias potencialmente tóxicas e cancerígenas. Eles não podem ser considerados seguros. Além disso, muitos jovens que começam com cigarro eletrônico acabam migrando para o cigarro convencional ou tornam-se dependentes de nicotina. Portanto, do ponto de vista médico, não recomendamos o uso de cigarros eletrônicos como alternativa segura.

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