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Publicado em 28/12/2025, às 19h34 Imagem: reprodução | Gilles BASSIGNAC/Gamma-Rapho via Getty Images Mayane Lins
Brigitte Bardot morreu neste domingo (28), aos 91 anos, encerrando uma trajetória que atravessou o cinema, a moda e o debate cultural do pós-guerra. Ícone mundial desde os anos 1950, Bardot marcou época como estrela das telas antes de se afastar definitivamente da carreira artística para dedicar a vida à defesa dos animais, uma escolha que redefiniu sua imagem pública nas décadas seguintes.
Nascida em Paris, em 1934, ela teve contato cedo com as artes. Iniciou-se no balé clássico ainda criança e, aos 15 anos, já trabalhava como modelo, experiência que abriu as portas do cinema. A estreia veio em 1952, mas a projeção internacional aconteceu quatro anos depois, com E Deus Criou a Mulher (1956), dirigido por Roger Vadim. O filme chocou e fascinou ao apresentar uma personagem feminina livre, sensual e independente, rompendo padrões morais da época. Censurado em alguns países, o longa consolidou Bardot como símbolo sexual e, para muitos, como emblema de uma nova ideia de liberdade feminina.
A partir daí, sua influência ultrapassou o cinema. Os cabelos loiros claros, propositalmente despenteados, e olhos fortemente delineados , logo virou referência e foi amplamente reproduzido na moda. Bardot passou a ditar comportamento e estilo, tornando-se uma figura central da cultura pop europeia.
Ao longo de pouco mais de duas décadas de carreira, trabalhou com diretores importantes e integrou elencos de filmes como A Verdade (1960), O Desprezo (1963), Viva Maria! (1965) e As Petroleiras (1971). Ao todo, participou de 56 produções, encerrando sua trajetória no cinema em 1973, aos 39 anos.
Fora das telas, Bardot também desafiou convenções sociais. Chamou atenção ao aparecer de biquíni no Festival de Cannes, em 1953, e voltou a provocar ao comparecer de calças ao Palácio do Eliseu, quando o figurino feminino em eventos oficiais ainda era rigidamente controlado. Sua vida pessoal, intensamente acompanhada pela imprensa, tornou-se parte inseparável de sua imagem pública.
Teve relacionamentos com artistas, músicos e empresários, viveu casamentos e romances sob os holofotes e nunca escondeu suas escolhas. Essa postura franca e independente ajudou a consolidar sua reputação como símbolo de autonomia feminina durante a revolução sexual.
Por trás da aura de liberdade e glamour, porém, Bardot enfrentou períodos difíceis. Lutou contra a depressão e o alcoolismo e viveu conflitos intensos na vida pessoal. Em 1960, tornou-se mãe de Nicolas Jacques Charrier, seu único filho. Décadas depois, em sua autobiografia Initiales B.B., publicada em 1996, revelou episódios de profundo sofrimento psicológico, incluindo uma tentativa de aborto, relato que gerou amplo debate na sociedade francesa.
Após deixar o cinema, Brigitte Bardot passou a se dedicar quase integralmente à causa animal, tornando-se uma das ativistas mais conhecidas da Europa. Assim, sua história ficou marcada não apenas pelo brilho do estrelato, mas também pelas contradições, escolhas radicais e pelo impacto duradouro que exerceu sobre a cultura e o comportamento do século 20.