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Publicado em 25/03/2026, às 11h55 Reprodução/Freepik Malu Machado
A relação dos jovens brasileiros com o álcool está passando por uma transformação significativa. De acordo com levantamento da Ipsos-Ipec, encomendado pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA), a taxa de abstinência entre pessoas de 18 a 24 anos saltou de 46% em 2023 para 64% em 2025. Já entre os adultos de 25 a 34 anos, o movimento segue a mesma tendência, com avanço de 47% para 61%.
Para Zacarias Ramalho, psicólogo e docente, o fenômeno vai além de uma tendência pontual.
O aumento da abstinência de álcool entre jovens não é visto pela Psicologia como um fenômeno isolado, mas como resultado de várias mudanças culturais, cognitivas e emocionais acontecendo ao mesmo tempo”, explica.
Entre os fatores que ajudam a entender esse movimento, o especialista destaca uma maior consciência sobre saúde mental e bem-estar. “Há também o acesso a dispositivos e estratégias que contribuem para a redução de sintomas de ansiedade e depressão, o que impacta diretamente no comportamento de consumo”, acrescenta.
Diferente de gerações anteriores, os jovens atuais encontram suporte em comunidades digitais que normalizam o ato de não beber. Perfis como o @temgentequenaobebe ganharam força ao propor reflexões sem tons moralistas.
A tendência atraiu até celebridades, como o cantor João Gomes, que recentemente relatou mudanças em sua relação com a bebida. "É sobre como lidar com as emoções. A gente não aprende a beber", afirmou o artista.
Para os especialistas, a estética das redes sociais, que hoje valoriza rotinas equilibradas, treinos matinais e produtividade, torna o consumo excessivo de álcool algo "fora de moda" ou incompatível com o estilo de vida desejado.
Na avaliação de Zacarias, esse tipo de conteúdo pode contribuir para a quebra de padrões.
Muitas vezes, o consumo de álcool acontece dentro de relações cíclicas de continuidade. O indivíduo não desenvolve mecanismos de resiliência e mantém esse comportamento. Questionar esses ciclos é o primeiro passo para a mudança”, afirma.
A mudança de hábito vai ao encontro dos alertas da Organização Mundial da Saúde (OMS), que reforça a inexistência de um nível seguro para o consumo de álcool. A redução do consumo traz benefícios imediatos e a longo prazo:
Embora o movimento seja crescente, especialistas alertam para que a busca pelo "estilo de vida perfeito" não se torne uma pressão estética inalcançável, mas sim uma escolha consciente por longevidade.