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Publicado em 21/01/2026, às 15h15 Reprodução/Finsiders Brasil José Nilton Jr.
Nesta quarta-feira (21), o Banco Central (BC) decretou a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, conhecida como Will Bank, uma instituição digital controlada pelo Banco Master. A medida atinge diretamente milhões de clientes e provoca novo impacto no sistema financeiro, poucos dias após a liquidação do próprio Master.
De acordo com dados divulgados pelo banco digital, a Will Bank reúne cerca de 12 milhões de clientes, com atuação em cartões de crédito, empréstimos e investimentos. Somente no último ano, a fintech movimentou aproximadamente R$ 7,5 bilhões e mantinha cerca de 1,1 mil empregados.
Na véspera da decisão do BC, a Mastercard já havia suspendido o uso dos cartões emitidos pelo Will Bank. Com a liquidação, todos os cartões serão cancelados e ficarão indisponíveis para transações, afetando diretamente o dia a dia dos correntistas.
No caso dos recursos aplicados no banco digital, os investidores passam a contar com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos, o mesmo mecanismo acionado após a liquidação do Banco Master. O FGC garante valores de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, conforme as regras vigentes.
A liquidação do Will Bank pode gerar uma demanda de até R$ 6,5 bilhões ao fundo, valor correspondente ao total de depósitos a prazo da instituição em setembro de 2025, segundo dados da IFData, do Banco Central. Ainda não há definição sobre quanto, de fato, o FGC precisará desembolsar, já que a cobertura é limitada por investidor.
Atualmente, o FGC já conduz o maior processo de ressarcimento de sua história, relacionado ao Banco Master. A expectativa é de um desembolso de cerca de R$ 40,6 bilhões para aproximadamente 800 mil investidores, o que amplia a atenção sobre a capacidade operacional do fundo.
Especialistas destacam que a liquidação do Banco Master comprometeu parte relevante do fundo garantidor, o que exige maior cautela dos investidores. Especialistas avaliam que, cerca de 40% dos recursos do FGC serão consumidos apenas com o caso do Master, tornando o fundo mais pressionado no curto prazo.
A recomendação é que o investidor avalie, antes de tudo, o objetivo da aplicação, o prazo de liquidez e o nível de risco que está disposto a assumir. Apoiar-se apenas na existência do FGC, segundo os analistas, pode gerar uma falsa sensação de segurança.
Esse alerta é ainda mais sensível no caso do Will Bank, que tinha foco declarado nas classes C, D e E. Para Feldmann, há risco de famílias inteiras terem concentrado suas economias em um único banco, sem a devida diversificação.