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Publicado em 30/01/2026, às 13h52 Reprodução/ICL Notícias José Nilton Jr.
O Banco Master, que é controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, possuía apenas R$ 4 milhões em caixa pouco antes de o Banco Central (BC) decretar a liquidação extrajudicial da instituição. A informação foi compartilhada pelo diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino, em depoimento à Polícia Federal.
O conteúdo do depoimento, realizada nesta sexta-feira (30), teve o sigilo retirado nesta quinta-feira (29), por decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal STF). O relato detalha o cenário crítico de liquidez que antecedeu a intervenção do BC.
De acordo Aquino, apesar de o Master ser classificado como banco de porte médio S3, o volume de ativos da instituição exigia atenção redobrada da supervisão. O banco declarava ativos totais de aproximadamente R$ 80 bilhões.
Durante o depoimento, o diretor do Banco Central afirmou que, em condições normais, uma instituição desse porte deveria manter entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões em títulos livres para garantir liquidez. No entanto, a realidade encontrada pela fiscalização foi bem diferente.
“Antes da liquidação, o Master possuía apenas 4 milhões de reais em caixa”, declarou Aquino. De acordo com ele, a escassez de recursos levantou dúvidas constantes sobre a capacidade diária de funcionamento do banco, inclusive quanto à abertura e ao fechamento do caixa.
Outro ponto destacado no depoimento foi a situação do Will Bank, fintech ligada ao Banco Master, que também acabou sendo liquidada. De acordo com Aquino, a operação da instituição apresentava sérias dificuldades nos pagamentos e nas contas, o que ampliava o risco sistêmico.
À época, o Will Bank operava sob o Regime de Administração Especial Temporária, o Raet, mecanismo utilizado pelo Banco Central quando o patrimônio de uma instituição financeira está severamente comprometido.
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro de 2025, apontando fraudes em carteiras de crédito que superariam R$ 11 bilhões. No caso do Will Bank, a medida buscou evitar prejuízos ainda maiores a instituições parceiras, como o Banco de Brasília, o BRB.
Segundo Aquino, havia “muitos ativos do Will Bank no balanço do BRB”, o que tornava a adoção do Raet estratégica para reduzir perdas. Ele destacou ainda que a fintech concentrava cerca de 11 milhões de cartões de crédito, principalmente entre clientes das classes C e D.