☰
✕

Geral

Alerta no Dia Mundial do Café: Brasileiros exageram na dose e risco de dependência preocupa especialistas

Estudo revela que 26% dos brasileiros consomem mais de seis xícaras de café por dia, superando o limite seguro  |  © Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Publicado em 14/04/2026, às 07h00   © Marcello Casal Jr/Agência Brasil   Giovana Gurgel

O consumo elevado de café entre brasileiros tem chamado a atenção de especialistas em saúde, especialmente diante de dados recentes que indicam hábitos acima do recomendado. Embora a bebida seja amplamente apreciada por seus efeitos estimulantes, o excesso pode trazer consequências ao organismo, incluindo sinais de dependência.

Levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) aponta que, em 2025, 26% da população consumiu mais de seis xícaras por dia, quantidade que supera em duas unidades o limite considerado seguro para adultos saudáveis. Entre os principais motivos relatados, 63% dos entrevistados citaram o aumento da disposição e do humor.

A data que marca o Dia Mundial do Café, celebrada nesta terça-feira (14), reforça tanto a relevância cultural da bebida quanto a necessidade de atenção ao seu consumo. Rica em cafeína, minerais e niacina, substância do complexo B, a bebida pode ser benéfica quando ingerida com moderação.

Consumo excessivo 

Segundo a nutricionista Eva Andrade, professora de nutrição da Estácio, o consumo frequente pode levar a um quadro de dependência. 

“O consumo frequente de café pode, sim, configurar uma forma de dependência leve. A cafeína é uma substância psicoativa que atua diretamente no sistema nervoso central. Com o uso contínuo, o organismo passa a ‘esperar’ esse estímulo para manter o estado de alerta e bem-estar”, explica.

Com o uso contínuo, o organismo tende a se adaptar à substância, processo conhecido como tolerância. Isso faz com que a pessoa precise aumentar progressivamente a quantidade ingerida para alcançar os mesmos efeitos iniciais.

Na prática, o que começa com uma única xícara pode evoluir para doses maiores ao longo do tempo, impactando diretamente os níveis de energia e concentração do indivíduo.

Redução deve ser gradual 

A recomendação para quem deseja diminuir o consumo é evitar interrupções bruscas. 

“O ideal é fazer uma redução gradual, diminuindo o número de xícaras ao longo do dia ou substituindo parte do café por versões descafeinadas ou bebidas com menor teor de cafeína. Isso ajuda o organismo a se adaptar sem causar sintomas intensos”, recomenda.

A retirada repentina pode provocar sintomas como dor de cabeça, fadiga, irritabilidade, sonolência e dificuldade de concentração. Em alguns casos, há relatos de mal-estar geral semelhante a quadros gripais leves. Esses efeitos ocorrem porque o organismo precisa se readaptar à ausência da substância, após um período de uso frequente.

Período crítico dura até uma semana

De acordo com a especialista, os sintomas mais intensos costumam ocorrer entre dois e sete dias após a redução ou interrupção do consumo. Esse é considerado o período mais crítico do processo de adaptação.

A recuperação completa pode levar de uma a duas semanas, tempo necessário para que o corpo restabeleça seus níveis naturais de energia e regule o sono sem a interferência da cafeína.

A orientação é manter a redução de forma consistente, mesmo diante dos desconfortos iniciais, para garantir uma adaptação mais saudável do organismo.

“O importante é não desistir ao longo do processo, principalmente entre dois e sete dias, período com sintomas mais intensos”, finaliza.

Classificação Indicativa: Livre


TagsSaúdeDependênciaCafeínaDia Mundial do Café