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Publicado em 27/10/2026, às 15h36 © Rovena Rosa/Agência Brasil Giovana Gurgel
Mais de 3 milhões de adolescentes brasileiros que receberam a primeira dose da vacina contra a dengue ainda não completaram a imunização, enquanto quase 4 milhões de doses distribuídas aos municípios permanecem sem aplicação. O Ministério da Saúde alerta para a necessidade de concluir o esquema vacinal antes do período de maior circulação do vírus, quando os casos da doença costumam aumentar no país.
Os números foram apresentados por Eder Gatti, diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), durante a 28ª Jornada Nacional da Sociedade Brasileira de Imunizações, realizada na semana passada, no Rio de Janeiro. Segundo ele, a baixa adesão à segunda aplicação representa um desafio para ampliar a proteção do público-alvo.
A vacina Qdenga, oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS), exige duas doses, com intervalo de três meses entre elas. Por isso, adolescentes que receberam apenas a primeira aplicação precisam procurar uma unidade de saúde para concluir o esquema recomendado.
De acordo com os dados apresentados pelo diretor do PNI, mais de 11,8 milhões de doses contra a dengue já foram aplicadas no Brasil. Desse total, 7,6 milhões correspondem à primeira dose, enquanto 4,2 milhões são referentes à segunda aplicação.
Além das doses já utilizadas, quase 4 milhões de unidades entregues aos municípios ainda não foram aplicadas. Para o Ministério da Saúde, o desafio envolve tanto a disponibilidade do imunizante quanto o convencimento das famílias sobre a importância de completar a vacinação.
Atualmente, a imunização com a Qdenga está disponível em todo o país para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. A definição dessa faixa etária considerou os dados de segurança disponíveis quando a vacina foi incorporada ao SUS e o risco de desenvolvimento de formas graves da doença.
Gatti destacou que a aplicação das doses antes da época de maior circulação do vírus é fundamental para que os adolescentes estejam protegidos quando houver aumento da transmissão.
“Vacinar adolescente, sem eles terem percepção de risco, é muito difícil. No caso da dengue, o ideal é vacinar no período intersazonal, para que a pessoa entre na sazonalidade protegida”, afirmou o diretor.
Apesar das dificuldades de adesão, o fornecimento de vacinas para o público atualmente contemplado está garantido, segundo Gatti. A capacidade de produção da farmacêutica Takeda, responsável pela fabricação da Qdenga, entretanto, não é suficiente para imunizar toda a população brasileira.
O contrato em vigor prevê a entrega de 9 milhões de doses em 2026 e outras 9 milhões em 2027, além dos imunizantes fornecidos nos anos de 2024 e 2025.
A possibilidade de estender a vacinação contra a dengue para outras faixas etárias está em análise pelo Ministério da Saúde. Segundo o diretor do PNI, uma eventual ampliação dependerá de fatores como a segurança do imunizante, a capacidade operacional para executar a campanha e a disponibilidade de recursos financeiros.
Enquanto isso, a orientação é que o público contemplado complete o esquema vacinal dentro do intervalo recomendado. A medida busca ampliar a proteção contra a doença antes dos períodos de maior transmissão.
Durante a mesma apresentação, Gatti informou que a aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan continua suspensa. A decisão foi tomada pelo Ministério da Saúde em junho, após a identificação de três casos de dengue grave em pessoas que haviam recebido o imunizante, incluindo dois óbitos, entre mais de 500 mil vacinados.
Até o momento, não há confirmação de que a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan tenha provocado os casos graves ou as mortes. As ocorrências foram consideradas sinais de segurança que exigem investigação e estudos complementares.
A suspensão, segundo Gatti, não representa o cancelamento definitivo do imunizante. A retomada da aplicação dependerá da análise dos dados de segurança e dos resultados das avaliações conduzidas pelas autoridades responsáveis.
Enquanto as investigações prosseguem, o Ministério da Saúde mantém o foco na conclusão do esquema vacinal com a Qdenga entre crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, público atualmente contemplado pela estratégia de imunização contra a dengue no Sistema Único de Saúde.
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