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Publicado em 16/02/2026, às 13h04 Reprodução/Redes sociais José Nilton Jr.
Um grupo de pernambucanos que vive na província de Quebec, a 444 quilômetros de Ottawa, capital do Canadá, encontrou uma forma inusitada de manter viva a tradição do carnaval brasileiro. Há 12 anos, eles ocupam as ruas com fantasias, ao som de samba, maracatu e frevo, no desfile do Galo na Neve, realizado na mesma data do tradicional Galo da Madrugada.
Nem mesmo temperaturas que variam entre 21 e 40 graus negativos impedem a festa. A edição deste ano aconteceu na última semana, reunindo brasileiros e estrangeiros em uma celebração que mistura cultura nordestina e inverno rigoroso.
O bloco foi inspirado no Galo da Madrugada, reconhecido desde 1994 pelo Guinness como o maior bloco de carnaval do mundo. A versão canadense mantém o espírito da agremiação pernambucana, adaptando a folia ao cenário coberto de neve.
A iniciativa nasceu do desejo de preservar as raízes culturais mesmo a milhares de quilômetros de Recife. Música, dança e pratos típicos fazem parte da programação, que cresceu ao longo dos anos e passou a atrair não apenas brasileiros, mas também canadenses e imigrantes curiosos com a festa.
A administradora Fabiana Marques, atual líder do Galo na Neve, mora em Quebec desde 2013. Ela se mudou por meio do programa de trabalhadores qualificados do governo local, que busca profissionais para suprir a demanda provocada pelo envelhecimento da população.
Embora tenha encontrado segurança e qualidade de vida para os filhos no Canadá, Fabiana sentia falta do carnaval recifense. Ex-bancária em Recife, ela aguardava o desfile do Galo como quem espera o próprio aniversário.
A ideia de criar o bloco surgiu em conversa com amigos. Sem poder viajar ao Brasil para a folia, decidiram fazer o próprio carnaval em solo canadense. No primeiro ano, o grupo confeccionou um estandarte artesanal e saiu às ruas com apenas quatro pessoas.
No ano seguinte, em 2015, o público já havia multiplicado por mais de seis vezes. A programação incluiu feijoada, frevo, samba e maracatu, consolidando o evento como ponto de encontro da comunidade brasileira.
Com o crescimento, o Galo na Neve passou a simbolizar mais do que nostalgia. Tornou-se um espaço de afirmação cultural para os pernambucanos e de intercâmbio para moradores de Quebec, que passaram a conhecer de perto a energia do carnaval do Nordeste, mesmo sob temperaturas congelantes.