Entretenimento
Publicado em 02/02/2026, às 08h18 Reprodução internet Dani Oliveira
Personagens centrais da folia na capital potiguar, blocos populares seguem preservando a tradição do carnaval de rua em Natal.
Espalhados por bairros como Redinha, Ponta Negra e Petrópolis, grupos como Os Cão, Poetas, Carecas, Bruxas e Lobisomens, Suvaco do Careca e Submarino Amarelo atravessam décadas mantendo acesa a identidade popular da festa — mesmo diante das dificuldades financeiras para colocar os cortejos na rua.
Poetas, Carecas, Bruxas e Lobisomens — 21 anos iniciando o polo Ponta Negra
Criado a partir de uma ideia do jornalista e cartunista Edmar Viana, o bloco saiu pela primeira vez no sábado de carnaval de 2005, levando para as ruas do bairro de Ponta Negra bonecos gigantes que se tornaram sua marca registrada.
Os personagens fazem referência direta ao bairro: o poeta simboliza a boemia e a arte local; o careca remete ao Morro do Careca; o lobisomem nasce de lendas da região. A inclusão das “bruxas” veio depois, por reivindicação das mulheres do grupo, trazendo representatividade feminina ao cortejo.
O bloco chega a 2026 celebrando 21 anos de carnaval ininterrupto e reivindica o papel de ter sido pioneiro na criação do Polo Ponta Negra, quando a Zona Sul ainda não tinha tradição de carnaval de rua.
• Desfile: 14 de fevereiro, 16h
• Concentração: Praça dos Gringos
Os Cão — o mela-mela que virou patrimônio cultural
O bloco nasceu de forma espontânea em 1964, na Redinha. Um grupo de amigos cobertos de lama do manguezal chamou atenção dos moradores, que gritavam: “Lá vai os cão”. O nome ficou.
Com o tempo, a brincadeira precisou ser organizada para evitar excessos e hoje o bloco é reconhecido como patrimônio imaterial e cultural de Natal desde 2021.
• Desfile: 17 de fevereiro
• Concentração: 9h, embaixo da Ponte Newton Navarro
Mesmo com o reconhecimento oficial, o bloco ainda depende de editais para garantir recursos para os 35 músicos que acompanham o cortejo.
Suvaco do Careca — frevo, meio ambiente e tradição familiar
Criado em 2011 por Maurício Cavalcante e sua família, o bloco se inspirou no carioca “Suvaco do Cristo” e faz referência direta ao Morro do Careca.
O grupo mantém como tema permanente a preservação ambiental da praia e do morro e conta com três bonecos principais: o carecão, o sheik e uma boneca.
• Prévia: 7 de fevereiro, 15h, Praia Shopping
• Desfile: 15 de fevereiro, 15h
• Concentração: rua ao lado do Praia Shopping
Submarino Amarelo — Beatles, rock e frevo em Petrópolis
Criado em 2018 por Marcos Sá, o bloco mistura Beatles com frevo e leva um “rock carnavalesco” para as ruas de Petrópolis. A inspiração veio do bloco carioca Sargento Pimenta, que também homenageia a banda britânica.
O grupo tem banda própria caracterizada como os músicos e é acompanhado por orquestra de frevo.
• Ensaio: 5 de fevereiro, 18h, 294 Bar e Restaurante
• Desfile: sábado de carnaval, 16h
• Local: Av. Floriano Peixoto
A dificuldade comum: colocar o bloco na rua
Apesar da tradição e do público fiel, todos os organizadores relatam a mesma dificuldade: captar recursos. As leis de incentivo ajudam, mas o dinheiro costuma chegar apenas depois do carnaval, o que limita a organização prévia.
Ainda assim, é essa mobilização voluntária, comunitária e cultural que mantém viva a essência do carnaval de rua em Natal — um patrimônio que resiste graças ao esforço coletivo de quem se recusa a deixar a folia desaparecer.