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Publicado em 23/10/2026, às 10h51 Reprodução: Internet Redação
Pacientes que dependem da rede pública de saúde do Rio Grande do Norte enfrentam dificuldades para conseguir medicamentos na Unidade Central de Agentes Terapêuticos (Unicat), em Natal.
Dos 220 medicamentos relacionados no portal do serviço, 75 estavam em falta nesta quinta-feira (22), o equivalente a aproximadamente 34% do total.
De acordo com dados da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), 57 medicamentos estão em processo de licitação e outros 18 aguardam providências relacionadas ao fornecimento pelo Ministério da Saúde.
A secretaria atribui os problemas a atrasos nos procedimentos de compra e a dificuldades enfrentadas pelos fornecedores.
Atrasos nas compras e dificuldades dos fornecedores
O secretário estadual de Saúde, Alexandre Motta, explicou que parte dos problemas ocorre quando as empresas vencedoras das licitações não conseguem obter os insumos necessários para fabricar os medicamentos ou deixam de cumprir os prazos de entrega estabelecidos.
Segundo ele, também existem situações em que o fornecedor vence a licitação, mas não entrega o produto contratado, comprometendo o abastecimento da unidade.
Motta acrescentou que os processos de compra podem se prolongar devido à participação de diferentes empresas e à apresentação de recursos administrativos ou judiciais.
Apesar dos entraves, o secretário defendeu a manutenção das licitações como instrumento de segurança e transparência nas aquisições públicas.
“Do ponto de vista da gestão pública, nada mais seguro, mais correto, mais adequado do que a licitação”, declarou.
Medicamentos para doenças crônicas estão entre os itens em falta
Entre os produtos que constavam como em licitação no portal da Unicat estavam a atorvastatina, utilizada no controle do colesterol; a hidroxicloroquina, indicada para o tratamento de doenças autoimunes, como o lúpus; e a mesalazina, empregada no tratamento de doenças inflamatórias intestinais, como a retocolite ulcerativa.
A indisponibilidade desses medicamentos pode dificultar a continuidade dos tratamentos de pacientes que dependem da distribuição gratuita pela rede pública.
Paciente ficou meses sem receber medicamento para a mãe
A agricultora Eleone Oliveira relatou que a mãe passou mais de oito meses sem receber budesonida pela rede pública. O medicamento é utilizado no tratamento de doenças respiratórias, incluindo asma e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).
Na consulta realizada nesta quinta-feira, a budesonida na apresentação de 6 + 200 mcg ainda aparecia no sistema como em licitação. Após semanas tentando conseguir o produto, Eleone voltou a não ter acesso ao medicamento.
“Minha mãe ficou comprando sem poder, né? Porque, quando a pessoa vem receber é para ter todos os remédios, não em falta”, afirmou.
Família precisou comprar remédio para puberdade precoce
Outro relato é o da agente de saúde Sueli Xavier, cuja sobrinha ficou sem receber leuprorrelina desde janeiro. O medicamento é utilizado no tratamento da puberdade precoce.
Diante da falta na rede pública, a família precisou comprar o produto para dar continuidade ao tratamento.
“Precisei comprar, porque não tem aqui”, relatou Sueli, que também afirmou que a indisponibilidade do medicamento ocorre com frequência.
A leuprorrelina é fornecida pelo Ministério da Saúde e, segundo a situação consultada na quinta-feira (22), estava disponível na Unicat.
Ministério da Saúde detalha situação de 18 medicamentos
Em nota, o Ministério da Saúde informou que 12 dos 18 medicamentos classificados pela Sesap como aguardando envio federal estavam com fornecimento regular para o Rio Grande do Norte.
Para o tafamidis 61 mg, a previsão informada era de envio de uma remessa em 28 de outubro.
Outros quatro medicamentos — cladribina 10 mg, levetiracetam 500 mg, tobramicina 300 mg e upadacitinibe 15 mg — estavam em fase de conclusão do processo de compra.
No caso da rivastigmina transdérmica 9 mg, o ministério informou que o fornecedor havia sido notificado para apresentar uma data de regularização do abastecimento.
As informações mostram que a situação dos medicamentos classificados como pendentes envolve diferentes etapas de aquisição e distribuição, que precisam ser acompanhadas para verificar quando os produtos estarão efetivamente disponíveis aos pacientes.
Unicat passa a atender também aos domingos e feriados
Além das dificuldades de abastecimento, a Sesap anunciou a ampliação do horário de funcionamento da Unicat em Natal. Desde quarta-feira (21), a unidade passou a atender diariamente, incluindo domingos e feriados.
Segundo Alexandre Motta, a mudança busca facilitar o acesso da população aos medicamentos, diante das dificuldades enfrentadas por usuários mesmo quando possuem agendamento.
“A gente percebeu que, mesmo com os agendamentos, ainda estava tendo muita gente com dificuldade de acesso”, afirmou.
O secretário também informou que o governo estadual pretende ampliar o atendimento aos domingos e feriados para outras unidades. A iniciativa, no entanto, depende da disponibilidade de profissionais para compor as equipes.
Para viabilizar o novo horário na Unicat, a Sesap redistribuiu servidores entre as equipes. Motta citou ainda as convocações realizadas por concurso público como parte dos esforços para reforçar o quadro de pessoal. Ao todo, o Estado já havia convocado 3.307 profissionais, mas ainda enfrenta limitações para ampliar o funcionamento dos serviços.
Parceria com Lajes busca descentralizar a distribuição
Outra medida mencionada pelo secretário é uma parceria com a Prefeitura de Lajes para facilitar a entrega de medicamentos aos moradores do município.
Pelo acordo anunciado, a prefeitura ficará responsável pela estrutura e pelos profissionais necessários à distribuição dos medicamentos enviados pelo governo estadual. A proposta é reduzir a necessidade de deslocamento dos pacientes até Natal para receber os produtos.
“Isso é positivo porque o usuário não vai precisar mais se deslocar para Natal”, avaliou Motta.
A iniciativa busca aproximar a distribuição dos medicamentos dos usuários do interior do estado. A ampliação do acesso, contudo, depende também da regularidade do abastecimento e da disponibilidade dos produtos prescritos.