Cidades
Publicado em 08/08/2026, às 18h00 Foto: Cícero Oliveira Mayane Bezerra
As rezas, os gestos, o conhecimento sobre ervas e os rituais de cura popular praticados por benzedeiras e benzedores agora têm reconhecimento oficial em Mossoró. A Câmara Municipal promulgou a Lei nº 4.296/2026, que transforma esses saberes e práticas em Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do município.
A nova legislação foi publicada no Diário Oficial de Mossoró e estabelece que o poder público deve adotar medidas para proteger, valorizar e divulgar essa tradição, presente há décadas em comunidades do interior potiguar.
O benzimento faz parte da memória de muitas famílias nordestinas. Em quintais, varandas e espaços de convivência, benzedeiras e benzedores sempre foram procurados para aliviar dores, acalmar crianças, afastar o chamado “mau-olhado” e oferecer conforto espiritual.
Esse conhecimento costuma ser transmitido de forma oral, entre mães, avós, madrinhas e outros integrantes da comunidade.
A prática reúne elementos de diferentes matrizes culturais, com influências indígenas, africanas e europeias. Além das orações, muitos rituais também envolvem o uso de plantas medicinais e conhecimentos tradicionais sobre cuidado e bem-estar.
Com a nova lei, o município passa a reconhecer oficialmente o valor histórico e cultural dessas práticas.
O texto também prevê o livre exercício dos ofícios e incentiva ações de preservação, valorização e transmissão dos saberes para as próximas gerações.
A medida ganha ainda mais importância diante do envelhecimento de mestres e mestras da cultura popular e da redução da transmissão desses conhecimentos entre os mais jovens.
Mesmo com as mudanças sociais e o avanço dos serviços de saúde, o benzimento continua presente em diferentes regiões do Rio Grande do Norte.
Em municípios do Seridó, do Oeste e do Agreste, ainda é comum encontrar pessoas que aprenderam a prática dentro da própria família e mantêm viva uma tradição que atravessa gerações.
O reconhecimento em Mossoró também se soma a outras ações de preservação do patrimônio imaterial da cidade, que já contempla manifestações como quadrilhas juninas e celebrações religiosas tradicionais.