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Cidades

Terras raras: empresa recebe alvarás para pesquisar mais de 7 mil hectares em Caicó

A RAJ Mineração Ltda. obteve quatro alvarás da ANM para explorar terras raras em 7.642 hectares no Seridó potiguar, mas precisa de licença ambiental  |  Alex Régis

Publicado em 04/11/2026, às 08h43   Alex Régis   Lavínia Manso

A empresa RAJ Mineração Ltda. recebeu quatro alvarás da Agência Nacional de Mineração (ANM), publicados em 19 de outubro (19), para pesquisar terras raras em 7.642 hectares de Caicó, no Seridó potiguar. As autorizações permitem investigar a presença e o potencial econômico desses minerais por meio de estudos e análises, mas a pesquisa ainda depende de licenciamento ambiental e não representa autorização para exploração comercial.

O Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema) informou que ainda não recebeu pedido de licença relacionado ao projeto. Para iniciar o processo, a empresa deverá apresentar documentos sobre a área e detalhar as atividades que pretende realizar.

A autorização para pesquisa pode abranger levantamentos geológicos, coleta de amostras, análises em laboratório e sondagens. Esses procedimentos ajudam a identificar quais minerais existem no local, em que quantidade estão disponíveis e quais são suas características.

Licença ambiental é necessária para avançar nos estudos

Segundo o Idema, a etapa de coleta de material exige estudos ambientais prévios. As exigências são definidas conforme o porte da atividade e seu potencial de poluição, critérios que também orientam eventuais medidas para reduzir ou compensar impactos.

A concessão dos alvarás, portanto, não comprova a existência de reservas que possam ser exploradas com retorno econômico. Essa conclusão depende dos resultados da pesquisa e de avaliações posteriores sobre as condições técnicas, ambientais e financeiras do empreendimento.

O geólogo e pesquisador em Geociências Silas Samuel Costa explica que a viabilidade está ligada à concentração dos elementos, ao volume de material encontrado e à possibilidade de separar e beneficiar os minerais. Sondagens e análises químicas permitem elaborar modelos tridimensionais das áreas investigadas.

Os custos de financiamento, a situação das terras, as condições ambientais e a capacidade de processamento também entram nessa avaliação. A identificação de uma ocorrência mineral, isoladamente, não garante que sua extração seja viável.

Seridó tem potencial para minerais da transição energética

De acordo com Silas, o Seridó integra uma região geológica marcada pela diversidade de ocorrências minerais. Além de terras raras, há registros de lítio, nióbio e tântalo, elementos associados a tecnologias utilizadas na transição energética.

O pesquisador cita relatórios do Serviço Geológico do Brasil (SGB) que apontam ocorrências de minerais estratégicos na região. Ele ressalta, contudo, a necessidade de estudos para dimensionar os depósitos e avaliar suas possibilidades de aproveitamento.

Na avaliação do especialista, o Rio Grande do Norte poderá ampliar a produção desses minerais nas próximas duas décadas. A perspectiva envolve diferentes minas e frentes de extração, inclusive em formações conhecidas como pegmatitos, em vez de necessariamente um único empreendimento de grande porte.

A Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico do Rio Grande do Norte (Sedec) também vê oportunidades para Caicó e outras localidades, caso sejam confirmados depósitos com potencial econômico e atendidas as exigências para implantação dos projetos.

Investimentos e empregos dependem da confirmação dos depósitos

Entre os possíveis resultados de empreendimentos viáveis, a Sedec aponta atração de investimentos, criação de empregos diretos e indiretos, movimentação do comércio e dos serviços e aumento da arrecadação. Esses efeitos, porém, seriam percebidos principalmente no longo prazo.

A secretaria avalia ainda que a atividade poderia diversificar a produção mineral potiguar e abrir oportunidades de negócios. O avanço depende da comprovação da viabilidade e do cumprimento das exigências ambientais e legais.

Segundo o SGB, os elementos terras raras formam um conjunto de 17 elementos químicos: 15 lantanídeos, além de escândio e ítrio. Apesar da denominação, eles não são necessariamente escassos na natureza, mas sua dispersão dificulta o aproveitamento econômico.

Esses elementos são utilizados em tecnologias como turbinas eólicas, carros elétricos, baterias, equipamentos eletrônicos e sistemas de defesa.

Classificação Indicativa: Livre


TagsCaicóAgência nacional de mineraçãoMinerais estratégicos