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Cidades

SUS e Einstein desenvolvem aplicativo com IA para identificar doenças de pele

CUTIS-AI combina dados clínicos e imagens para melhorar a identificação de doenças de pele no Sistema Único de Saúde  |  Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Publicado em 05/11/2026, às 08h13   Marcello Casal Jr/Agência Brasil   Lavínia Manso

O Ministério da Saúde e o Einstein Hospital Israelita desenvolveram o CUTIS-AI, aplicativo de inteligência artificial (IA) que apresenta aproximadamente 80% de acerto na identificação de doenças de pele. Ainda em fase de estudo, a ferramenta foi criada para apoiar profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente na atenção básica, por meio da análise de imagens de lesões e de informações sobre os pacientes.

O sistema combina os registros fotográficos com dados clínicos, epidemiológicos e sociodemográficos para auxiliar na triagem. A proposta é ampliar o suporte às equipes, inclusive em regiões onde o acesso a especialistas é limitado.

Uma das funcionalidades permite utilizar o aplicativo mesmo sem conexão com a internet. A tecnologia atua como apoio ao atendimento e não substitui a avaliação clínica dos profissionais de saúde.

Sistema pode ajudar a reconhecer hanseníase e outras doenças

Entre as enfermidades contempladas estão hanseníase, esporotricose, leishmaniose cutânea, cromoblastomicose, lobomicose e tuberculose cutânea. A ferramenta também pode auxiliar na identificação de lesões provocadas por acidentes loxoscélicos, causados pela picada da aranha-marrom.

O desenvolvimento começou a partir de entrevistas com profissionais da atenção básica. Até o momento, a pesquisa analisou cerca de 1,4 mil pacientes e reuniu mais de 4 mil imagens de lesões, utilizadas no treinamento do modelo.

A cientista de dados do Einstein Hospital Israelita, Isabelle Carvalho, explica que a iniciativa busca oferecer suporte para o reconhecimento de doenças que podem ser difíceis de identificar no atendimento cotidiano.

O CUTIS-AI foi criado para ampliar a capacidade de identificação dessas doenças, que ainda podem representar um desafio para os profissionais de saúde, especialmente em regiões com menor disponibilidade de especialistas. Ao reunir imagens das lesões, estamos construindo uma base de dados robusta, que contribuirá para o desenvolvimento de uma tecnologia útil na ponta, principalmente para a Atenção Primária à Saúde”, destacou a cientista de dados do Einstein Hospital Israelita, Isabelle Carvalho.

Diversidade da população brasileira orienta treinamento

A formação do banco de imagens considera diferentes características de pele, condições de vida e perfis epidemiológicos. Essa variedade permite que a inteligência artificial tenha contato com manifestações distintas das enfermidades durante o treinamento.

O objetivo é preparar o sistema para atender à diversidade da população brasileira. Segundo o secretário de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, Fabiano Geraldo Pimenta Junior, o desempenho da tecnologia depende da qualidade e da representatividade dos dados utilizados.

Quando falamos em inteligência artificial aplicada à saúde, a qualidade e a diversidade dos dados são fundamentais. Uma tecnologia desenvolvida a partir de uma população específica pode não apresentar o mesmo desempenho quando aplicada a outros grupos. Por isso, construir uma base brasileira, com diferentes fototipos de pele, regiões, condições de vida e perfis epidemiológicos é essencial”, ressaltou o secretário.

Classificação Indicativa: Livre


TagsSistema único de saúdeInteligência artificialDoenças de pele