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Publicado em 19/08/2026, às 08h59 Reprodução: Internet Redação
Investir em um imóvel para obter renda com aluguel está entre as aplicações que ganharam força em Natal. O retorno anual estimado para imóveis residenciais chegou a 7,85% em julho, colocando a capital potiguar entre os mercados mais rentáveis do país.
O desempenho é superior à média nacional, de 6,14%, e deixa Natal na quinta posição entre as 22 capitais analisadas pelo Índice FipeZAP.
No Nordeste, apenas Recife apresentou um percentual maior, com rentabilidade de 8,47% ao ano. Também ficaram à frente de Natal a cidade de Cuiabá, com 8,31%, Belém, com 8,18%, e Manaus, com 7,99%.
O resultado ocorre em um cenário marcado pela dificuldade de acesso ao crédito imobiliário, juros elevados e uma demanda por imóveis que ainda não é acompanhada integralmente pela oferta.
Em Natal, esses fatores ajudam a sustentar os preços dos aluguéis e tornam a locação uma alternativa considerada atrativa para investidores.
Metro quadrado do aluguel chega a R$ 44,26
O valor médio cobrado pelo aluguel residencial na capital potiguar alcançou R$ 44,26 por metro quadrado em julho. A diferença entre os bairros, porém, é significativa e acompanha a valorização e a procura por determinadas regiões da cidade.
Ponta Negra aparece no topo da lista dos bairros com locações mais caras, com preço médio de R$ 53,60 por metro quadrado. Petrópolis vem na sequência, com R$ 47,50, seguido por Capim Macio, com R$ 45,90.
Também aparecem entre os bairros com maiores valores Candelária, onde o metro quadrado custa, em média, R$ 44,90, e Lagoa Nova, com R$ 42,70.
Plano Diretor amplia espaço para novos empreendimentos
Na avaliação de Roberto Peres, presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do RN (Creci-RN), o desempenho do mercado está relacionado ao novo momento vivido pelo setor imobiliário da capital, especialmente após mudanças nas prescrições urbanísticas.
“Áreas como Candelária e Capim Macio ganharam maior potencial construtivo e começam a atrair novos empreendimentos com a revisão do Plano Diretor. Isso ajuda a explicar o aumento dos aluguéis”, analisa.
O dirigente afirma que Natal ainda convive com uma procura superior à quantidade de imóveis disponíveis em determinados segmentos.
Há uma demanda reprimida por imóveis em Natal. Quando a oferta não consegue acompanhar essa demanda, os preços dos aluguéis naturalmente sobem. Por isso, a rentabilidade do aluguel também vem se destacando”, complementa.
Juros altos mantêm famílias no mercado de locação
A dificuldade de financiamento é apontada pelo economista Robespierre do Ó como um dos elementos que ajudam a explicar a pressão sobre o mercado de aluguel.
O país convive com uma política persistente de juros altos. Isso inviabiliza a procura por um imóvel para comprar, fazendo com que as famílias fiquem no aluguel, mesmo pagando valores mais elevados”, avalia.
Com o crédito mais caro, parte dos consumidores que poderia migrar da locação para a aquisição de um imóvel permanece no mercado de aluguel. O efeito é uma pressão adicional sobre os preços em regiões onde a oferta é mais limitada.
Setor ainda tem espaço para crescer
Para Renato Gomes Netto, presidente do Sindicato da Habitação do RN (Secovi), a ampliação da oferta observada em Natal ainda não foi suficiente para eliminar a demanda acumulada.
“Acredito que esse fenômeno vai perdurar por um bom tempo, fazendo deste um bom momento para investir.”
A expectativa é que o desequilíbrio entre procura e disponibilidade continue contribuindo para a rentabilidade dos imóveis destinados à locação.
Roberto Peres acredita, entretanto, que o movimento atual representa uma transformação mais ampla no mercado imobiliário natalense. Para ele, a cidade começa a recuperar um potencial que permaneceu represado durante um longo período.
“Estamos em condições de aumentar a oferta de produtos e, ao mesmo tempo, criar um novo ciclo de expansão. Vejo um mercado que ficou muito tempo represado e que agora começa a liberar potencial”, diz.
Preço dos imóveis sobe 8,87% em 12 meses
A valorização não está restrita aos imóveis destinados à locação. Quem possui uma propriedade residencial em Natal também viu o patrimônio se valorizar nos últimos 12 meses.
Segundo o Índice FipeZAP de julho, o preço médio dos imóveis residenciais na capital aumentou 8,87% no período. A alta foi significativamente superior à média nacional, de 5,4%, e também ficou acima da inflação oficial medida pelo IPCA, de 4,4%.
Entre as 22 capitais pesquisadas, Natal registrou a sexta maior valorização do país e a quarta maior do Nordeste.
Salvador liderou o ranking, com alta de 11,27%, seguida por Manaus (10,64%), Fortaleza (9,71%), Vitória (9,41%) e Aracaju (9,14%).
Natal ainda tem um dos metros quadrados mais baratos
Mesmo com a valorização, comprar um imóvel em Natal continua sendo relativamente mais barato do que em grande parte das capitais analisadas pelo levantamento.
O preço médio do metro quadrado residencial na cidade ficou em R$ 6.437 em julho. Entre as 22 capitais, apenas Teresina apresentou valor inferior, de R$ 6.025.
Dentro de Natal, Capim Macio aparece como a região com maior preço médio, chegando a R$ 7.771 por metro quadrado. Tirol vem em seguida, com R$ 7.289, seguido por Ponta Negra (R$ 7.092), Nossa Senhora de Nazaré (R$ 6.988) e Lagoa Nova (R$ 6.669).