☰
✕

Cidades

Reforma do Clóvis Sarinho não será concluída em 2026: Governo apresenta novo cronograma à justiça; saiba data prevista

Secretário de Saúde explica que a complexidade da reforma exige repactuação dos prazos para garantir serviços que irão garantir as melhorias  |  Foto Elpídio Júnior

Publicado em 08/07/2026, às 12h30   Foto Elpídio Júnior   Redação

A aguardada reforma do pronto-socorro Clóvis Sarinho, principal porta de entrada para casos de urgência e emergência do Rio Grande do Norte, não será concluída em 2026.

O Governo do Estado apresentou à Justiça um novo cronograma para a execução das obras, alegando que a complexidade da intervenção exige uma repactuação dos prazos para garantir que os atendimentos continuem sendo realizados durante todo o processo.

A informação foi confirmada pelo secretário estadual de Saúde Pública, Alexandre Motta, que explicou que o maior desafio é modernizar uma unidade hospitalar que funciona acima da capacidade e não pode interromper os serviços prestados diariamente à população.

Governo quer executar reforma sem fechar o hospital

Segundo Alexandre Motta, a proposta apresentada à Justiça prevê um novo planejamento para tornar a obra viável sem comprometer o funcionamento do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel.

De acordo com o secretário, a principal dificuldade é realizar intervenções estruturais em um hospital que permanece em plena atividade.

A principal dificuldade dela é a operacionalização, ou seja, é trocar o pneu de um carro com ele andando. E, no caso do Walfredo, é mais de um pneu", afirmou.

Ainda segundo Motta, o acordo prevê inicialmente a atualização do projeto executivo para, em seguida, iniciar a execução das obras dentro do novo cronograma.

Apesar das dificuldades, ele garantiu que a reforma é considerada tecnicamente viável.

"Exequível é. As dificuldades que a gente enfrenta hoje vão continuar existindo, mas será possível realizar a obra", destacou.

Segundo Alexandre Motta, a proposta apresentada à Justiça prevê um novo planejamento para tornar a obra viável sem comprometer o funcionamento do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel.

Hospital funciona acima da capacidade

O secretário reconheceu que o Hospital Walfredo Gurgel enfrenta há anos um cenário de superlotação, consequência da elevada demanda por atendimentos de alta complexidade em todo o estado.

Segundo ele, a unidade continua sendo referência para casos graves, mas opera acima da capacidade instalada.

O Walfredo é um hospital sobrecarregado, de extrema relevância, mas está trabalhando acima da sua capacidade", afirmou.

A expectativa do Governo é que parte dessa demanda seja absorvida futuramente pelo Hospital Metropolitano, cuja inauguração está prevista para os próximos anos. Com isso, será possível executar novas intervenções estruturais com menor impacto sobre os atendimentos.

Linha do AVC começará a funcionar na entrada do hospital

Enquanto a reforma do pronto-socorro aguarda a execução do novo cronograma, outras melhorias já começaram a ser implantadas na unidade.

Segundo Alexandre Motta, a partir da próxima semana será iniciada a reforma da área frontal do hospital para instalação da Linha do Acidente Vascular Cerebral (AVC).

A mudança permitirá que pacientes com suspeita de AVC sejam atendidos logo na entrada do hospital, reduzindo o tempo entre a chegada à unidade e o início do atendimento especializado.

Atualmente, esse serviço funciona no segundo andar do prédio.

Obras do Centro de Queimados enfrentam novo impasse

Outro tema abordado pelo secretário foi a situação das obras do Centro de Tratamento de Queimados (CTQ), que seguem sem conclusão após problemas com empresas contratadas pelo Estado.

Segundo Motta, a primeira construtora responsável pelas obras no Hospital Walfredo Gurgel, Hospital Santa Catarina e Hospital Regional Tarcísio Maia não conseguiu concluir nenhuma das intervenções previstas, levando ao encerramento do contrato.

Posteriormente, uma segunda empresa foi contratada por meio de dispensa de licitação para dar continuidade ao CTQ, mas executou apenas uma pequena parte dos serviços previstos.

Nós temos uma obra orçada em R$ 1,2 milhão e eles apresentaram notas de R$ 29 mil", afirmou o secretário.

Diante do baixo avanço da obra, o Governo realizou um novo distrato contratual.

Governo pretende pedir autorização para licitação emergencial

Para evitar novos atrasos, a Secretaria Estadual de Saúde pretende solicitar autorização judicial para realizar uma licitação emergencial destinada exclusivamente à retomada das obras do Centro de Tratamento de Queimados.

Segundo Alexandre Motta, essa modalidade permitirá contratar uma empresa com capacidade técnica para concluir a intervenção em menor prazo e evitar a perda dos recursos federais destinados ao projeto.

A expectativa é acelerar a conclusão de um serviço considerado estratégico para a rede estadual de saúde.

CTQ é referência em queimaduras no Rio Grande do Norte

O Centro de Tratamento de Queimados do Hospital Walfredo Gurgel é a única unidade especializada no atendimento de pacientes vítimas de queimaduras em todo o Rio Grande do Norte.

O serviço recebe tanto pacientes encaminhados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) quanto pessoas oriundas da rede privada, concentrando praticamente toda a assistência especializada no estado.

Segundo o secretário, as obras reduziram temporariamente a capacidade de atendimento do setor. Apesar disso, houve uma diminuição no número de acidentes envolvendo queimaduras em comparação aos anos anteriores.

Essa dificuldade que nós temos hoje diminuiu a nossa capacidade. Entretanto, por uma sorte nossa e da própria sociedade, também diminuíram o número de acidentes. A gente tem hoje um número menor do que tinha no passado, embora ainda seja um número bastante relevante", concluiu.

Entenda por que a reforma do Clóvis Sarinho é considerada uma das mais complexas do RN

O pronto-socorro Clóvis Sarinho é a principal unidade pública de urgência e emergência do Rio Grande do Norte e recebe pacientes de praticamente todas as regiões do estado.

Diferentemente de outras obras hospitalares, a reforma precisa ser realizada sem interromper o atendimento à população, o que exige mudanças na logística, transferência temporária de setores e execução das intervenções por etapas.

Alguns dos principais desafios:

Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, esse cenário torna a execução mais lenta do que em uma obra convencional, já que cada etapa precisa ser planejada para evitar prejuízos à assistência prestada aos pacientes.

Classificação Indicativa: Livre


TagsSuperlotaçãoHospital monsenhor walfredo gurgelReforma do pronto-socorro clóvis sarinho